ASPAS: “Queremos dignificar este saber ancestral que nos foi delegado pelos nossos antepassados”
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- Categoria: Sociedade
- Publicado em segunda, 07 janeiro 2013 09:35
- Escrito por Filipa Castro Reis
Com os objetivos bem definidos, a jovem Associação Portuguesa de Astrologia (ASPAS) tem vindo a desempenhar um papel crucial na divulgação deste saber ancestral com cerca de cinco mil anos de história, a astrologia. Em entrevista ao AUDIÊNCIA, a presidente e fundadora da ASPAS, Isabel Guimarães, desmistificou muitas ideias erróneas criada em torno da astrologia e mostrou como é que este saber pode mudar a vida de uma pessoa.
A Associação Portuguesa de Astrologia foi fundada a 22 de dezembro de 2011 e inaugurada a 24 de março deste ano. De onde surgiu esta vontade de fundar a ASPAS?
Surgiu da minha prática astrológica pessoal. Eu comecei na astrologia em 2002, tirei o curso aqui no Porto e comecei a ter a necessidade de estudar mais porque o astrólogo é um eterno estudante. Porém, deparei-me com muitas dificuldades, a astrologia está quase toda ela concentrada no centro do país, e também pediam valores muito elevados pelos cursos ministrados. Depois não encontrava ninguém online, não tinha nenhum gabinete de estudos e ninguém que me ajudasse a evoluir. Virei-me, então, para o Brasil que é pioneiro em astrologia – tem de tudo, desde Sindicatos a Ordens e escolas espalhadas pelas cidades todas. A partir daí, comecei a ter muito apoio a nível de escolas online, podia tirar dúvidas em grupos de estudo que não tinham medo de me dar informações. E falo em medo, porque nesta classe ainda há um bocadinho o espírito de guardar a informação só para si e não partilhar. Quando tive a oportunidade de concorrer a uma Bolsa para uma Certificação Internacional como Consultora Astrológica das duas organizações mais importantes de astrologia no mundo, que são a ISAR [International Society for Astrological Research] e a NCGR, eu aproveitei e para minha surpresa, ao fim de seis meses fui aceite e embarquei nessa aventura. De repente, vejo-me envolvida em grupos de estudo e de partilha, com escolas de grande nível de qualidade astrológica e pensei: “O meu país vai ter que ter isto”. Temos uma grande qualidade de astrólogos em Portugal que estão muito escondidos e senti que tinha de criar uma associação, pois estamos na era da distribuição de saberes.
Deparou-se com muitos obstáculos quando decidiu criar a ASPAS?
O maior obstáculo foi quando pensei que ninguém iria aderir. O astrólogo é muito independente e gosta muito de viver no seu mundo. O segundo obstáculo foi a necessidade de criar órgãos sociais. Entretanto falei com a Tânia Pinho que neste conceito d’“A Sua Secretária” foi pioneira a dar-me força e disponibilizou-se a ajudar-me. A nossa sede ficaria nas instalações d’“A Sua Secretária” e ajudaria no atendimento telefónico e de secretariado, o que resolveu um dos meus grandes problemas, pois tudo isso implicaria custos elevadíssimos e a associação é sem fins lucrativos. De salientar que a Tânia Pinho também ficou como presidente da Assembleia da ASPAS e pouco depois, alunas minhas quiseram igualmente entrar nos órgãos sociais. Por fim, vieram os meus queridos amigos Pedro Torres e Vânia Rodrigues que são do Conselho Fiscal. Hoje, os nossos órgãos sociais são compostos por dez pessoas. Após esta questão, criámos um site que teve vários problemas, pois estávamos a ser sempre pirateados, até criarmos parceria com a Base Point que finalmente nos resolveu a situação.
Quais são os grandes objetivos da Associação Portuguesa de Astrologia?
Unir saberes, partilhar saberes, divulgar a astrologia para o público em geral que ainda não está muito esclarecido, praticar o código de ética e deontológico sugerido pela ASPAS, salvaguardando sempre o continuo trabalho do mesmo, com o apoio dos associados para a sua auto-regulamentação, promover e apoiar, sob todas as formas, o debate, a pesquisa, o estudo e o aperfeiçoamento, criar um guia de apoio aos profissionais da área, com a colaboração de todos os associados e conselheiros astrológicos que queriam participar e incrementar o aumento de alunos e fortalecer a reputação dos astrólogos associados. Nós não lemos a vida das pessoas, não somos videntes, mas ajudamos as pessoas a conhecerem melhor o passado para fazerem um melhor presente e construíram um melhor futuro.A astrologia não é de ninguém, queremos dignificar este saber ancestral que nos foi delegado pelos nossos antepassados, por isso aqui não há egos.
Considera que ainda há um certo preconceito relativamente à prática de astrologia?
Cada vez menos, exatamente porque estamos a divulgar a sua essência. Às vezes as pessoas pensam que astrologia é bruxaria ou ler o tarot e não é nada disso. A leitura do nosso mapa astrológico implica um enorme trabalho e leva ao auto-desenvolvimento e auto-conhecimento.
Que eventos têm sido promovidos pela associação?
Fizemos vários encontros de astrologia, alguns temáticos e outros dirigidos ao público em geral para melhor compreenderem a astrologia. Trouxemos alguns membros e desses membros, criamos conselheiros de direção, que são os nomes com maior destaque em Portugal em astrologia, o que é o caso de Luís Resina, Fábio Ludovina, Patrícia Henriques, Rui Santos, Luiza Azancot, João Medeiros e António Rosa.
“Juntos Fazemos a Diferença”
De que forma é que um mapa astrológico pode ajudar uma pessoa?
Vai ajudar a pessoa a conhecer-se melhor, a perceber o que tem no seu inconsciente. Vai compreender que, ao longo da sua vida, foi reunindo muito karma e que foi atraindo determinados acontecimentos para si. As pessoas são produtos do passado e ao compreenderem isso, ficam aliviadas e começam a não agarrar-se à zona de conforto de culpar os outros, mas fazem uma introspecção relativamente àquilo que estão a fazer com elas mesmas.
Depois de ter sido fundada a associação, como é que tem sido a aceitação do público?
Tem sido muitíssimo boa. Nós estamos em várias redes sociais, como o Facebook e o Twitter, também temos um blog e um site. Aqui divulgamos constantemente o trabalho dos nossos astrólogos e divulgamos as nossas previsões na astrologia mundial que está divida em duas vertentes: a tradicional e a contemporânea. Nesta última, estão o astrólogo e o cliente a trabalharem em sintonia o mapa astrológico. Temos no nosso site uma biblioteca para ajudar os estudantes que estão a dar os primeiros passos em astrologia. Como parceiros temos também escolas, como é o caso da CEIA- Centro dos Estudos Inovadores de Astrologia e o Espaço Salitre do Luís Resina, que é um dos grandes fundadores da astrologia em Portugal.
A ASPAS tem agora uma nova parceria com o Porto Canal através da rubrica "Pergunte ao Astrólogo” no programa “Grandes Manhãs”. Fale-nos sobre isso.
Trata-se de uma consulta astrológica em direto para podermos abranger o público em geral. Uma pessoa liga para o programa, inscreve-se, deixa os seus dados e é-lhe dada em direto uma resposta à pergunta que nos fez. A iniciativa está a ter tanto sucesso que em vez de uma consulta por dia, já damos três.
E relativamente ao jornal da Associação?
O jornal foi outro grande desafio da ASPAS com o grande apoio d’“A Sua Secretária”. O jornal chama-se “Quatro Estações” e sai trimestralmente. No dia do nosso aniversário, a 22 de dezembro, vai sair uma edição muito especial e consiste numa visão astrológica da crise global para orientar as pessoas e ajudá-las a perceber. Quando temos conhecimento de algo, automaticamente surge uma solução. De salientar que a primeira edição que saiu e foi gratuita teve perto de dois mil downloads aqui em Portugal, em Espanha, no Brasil, nos Estados Unidos, entre outros países.
Que mensagem pretende deixar com a ASPAS?
É uma união de pessoas que quer deixar um legado com profissionalismo e coerência. Todos os astrólogos do país e todos os estudantes do país juntem-se a nós, pois tal como diz o nosso lema, “Juntos Fazemos a Diferença”.
Tânia Pinto, presidente da Assembleia da Associação Portuguesa de Astrologia
“A ASPAS mas tem evoluído muito”
“Eu já conhecia o trabalho da Isabel Guimarães, pois já me tinha proporcionado uma consulta astrológica, que me ajudou imenso no meu percurso pessoal e profissional. Quando a Isabel me falou do projeto da Associação Portuguesa de Astrologia, achei que seria muita interessante. Consegui perceber as suas dificuldades para seguir em frente e disponibilizei a “A Sua Secretária” que tem espaços e serviços de secretariado que seriam essenciais para as ASPAS poder singrar. A Associação Portuguesa de Astrologia tem como grande dificuldade o facto de os membros terem a sua própria vida profissional e não poderem dedicar todo o seu tempo, mas a ASPAS mas tem uma grande capacidade e tem evoluído muito. No próximo ano, há perspetivas de evoluir muito mais."
