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“Esta iniciativa vem recuperar e redimensionar a vida cristã”

Homem multifacetado, ligado aos problemas de cariz social da sua população, o padre Jardim Moreira esteve à conversa com o AUDIÊNCIA e falou do seu novo projeto, em parceria com a Associação Rigor e Coragem, que tem como objetivo principal batizar, sem qualquer custo, todos aqueles que assim o desejem. Numa entrevista exclusiva e extensa, em conjunto com Graça Castanho, presidente da Associação Rigor e Coragem, o padre Jardim Moreira, pároco das freguesias do Centro Histórico do Porto, abordou também a questão da desertificação da população para dar lugar a um boom de turistas que poderá não ser tão benéfico quanto se pensa.




O que faz na ilha de S. Miguel, nomeadamente, em Ponta Delgada?
Há duas razões pelas quais estou cá. A primeira é que vim com um grupo de amigos visitar de novo os Açores e, simultaneamente, ter um encontro com a Associação Rigor e Coragem da Drª Graça Castanho, para darmos mais um impulso na sua concretização já que esteve para ir ao Porto em setembro mas não conseguiu por falta de voo e era para ter ido assistir à bênção das senhoras grávidas em S. Nicolau, na Capela da Senhora do Ó.

Está com um grupo de pessoas oriundas do norte de Portugal, quem são e o que andam por aqui a fazer?
É um grupo de amigos e costumamos sair de vez em quando e viemos para aqui, um sítio tranquilo, agradável, que eu conheço mas é sempre bom estar por aqui porque sai-se daquela sociedade sempre a correr, sempre com pressa, e aqui vive-se um pouco mais com a natureza do que com o barulho e confusão.

O que encontrou que já sabia que encontraria? Teve alguma surpresa agradável, ou desagradável?
Acho que o nível de vida em relação à última vez que cá estive está muito melhor. Já cá não vinha há seis anos. Daquilo que perguntei sobre a pobreza disseram-me que há ilhas onde não há pobreza. Fico encantado. Realmente não vi gente a pedir, nada. Na minha zona vejo. Aqui o que acontece é que quando são pobres emigram. Estamos todos bastante impressionados, há uma evolução desde os portos, aeroportos, limpeza, as casas, estradas…

Neste momento, está ligado a que tipo de instituições?
Sou pároco de duas paróquias do centro histórico do Porto, a de S. Nicolau e da Nossa Senhora da Vitória. Sou reitor da Irmandade e da Igreja de S. João das Taipas e reitor da Irmandade de S. João Novo. Tenho também dois centros sociais, Nossa Senhora da Vitória e Centro Social de S. Nicolau. Além disso, sou presidente há 25 anos da Rede Europeia Anti Pobreza da qual fui fundador em Portugal.

Está a falar de duas freguesias do centro histórico que, politicamente, têm andado de candeias às avessas nos últimos três anos. Essa guerra interna na Junta de Freguesia, em que temos o presidente contra os membros do executivo e vice-versa, afeta a sua atividade, nomeadamente, na área social?
É evidente que sim porque quando os responsáveis locais não são capazes de assumir nem os problemas das populações que presidem politicamente, nem de entrar em diálogo com as instituições locais, no caso, estas que pertenço como pároco, é evidente que essa zona está morta porque não há nenhuma atividade, não há nenhum apoio para nada. E as consequências são notórias, difíceis e gravosas para quem trabalha porque as atividades sociais recaem apenas praticamente sobre a Igreja de S. Nicolau e da Vitória.

Quer dizer que estamos perante mais um ato que leva a afastar as pessoas da política porque em vez de servirem estão, se calhar, a impedir a concretização de projetos na freguesia?
É evidente o centro histórico do Porto está a ser muito penalizado por falta de intervenção capaz, por causa deste boom turístico que levou a que se tenha feito muita intervenção na especulação imobiliária e na reconstrução de casas para os hostels e hotéis. Há uns anos a esta parte, as minhas duas paróquias ficaram com menos 20 mil habitantes, o que significa que ficaram os mais pobres, e depois temos uma zona onde se começa a ver turistas. É impressionante a fila contínua de turistas de várias línguas onde já não se ouve falar português. Penso que o Porto pode estar a correr um risco grave de desertificação, de uma expulsão, mais ou menos, direta das populações, e da criação de um boom para o acolhimento de turistas de voos low cost que também vêm sem grande dinheiro, são pouco exigentes e faz uma presença que nem sempre é aquela que se diz que está a ser tão bom. Claro que depois também há aqueles que vão subir o rio Douro mas esse é outro tipo de turistas, mais ricos e mais capazes que fazem outro tipo de turismo. Mas o grande boom de turistas não acredito que seja líquido dizer que é tão positivo. Há barulho, há movimento, come-se, mas não sei se isso basta para desenvolver uma cidade ou estar a levá-la a uma situação de vazio e de falta de gente. Há muita gente que põe isso em dúvida, eu também ponho, pois vai criar problemas sérios uma vez que o centro histórico do Porto tem como maior atração o seu património religioso e vamos começar a ter imensas igrejas barrocas sem cristãos para as ocupar porque a população foi tirada do centro histórico. Eu, sozinho, tenho a responsabilidade de 7 centros de culto católico, e já não tenho gente, de modo nenhum, para as ocupar. Dizem-me que é o futuro das cidades turísticas, mas o mal dos outros a mim não me dá jeito nenhum. Portanto, neste momento, estamos também com uma candidatura aprovada no 2020 para seis igrejas no centro histórico, S. João Novo é uma dessas igrejas que vai ser intervencionada e onde vai ser feito um Centro Interpretativo de todo o património do centro histórico para ver se conseguimos dar uma integração do religioso também à cidade e aos turistas. E esta iniciativa da Drª. Graça acolhemos com muito agrado porque vem-nos dar também uma perspetiva de resposta às nossas problemáticas de recuperar e redimensionar a vida cristã no centro histórico e dar sentido a S. João Novo com o batismo de crianças. Penso que há aqui toda uma convergência muito agradável que para nós tem muito sentido.

Afirmou que saíram as pessoas da cidade para dar lugar a hostels e hotéis, o que quer dizer que ficaram apenas aqueles que não tinham posses para ir para lado nenhum. Estaremos perante a criação de guetos humanos nas suas freguesias?
Acho que é um risco que pode acontecer, as pessoas começam a não ter vizinhos. Ainda há dias, no verão, chegou lá uma moça que emigrou para a Alemanha e veio batizar um filho. Chegou, foi à Ribeira, a casa dos pais, e ficou a chorar porque achou que esta não era a cidade dela. Ficou muito triste e veio ter comigo a dizer que ‘esta não é a minha terra’. Portanto, as pessoas começam a sentir-se mal, e depois se não há um ponto de integração ou de aproximação das que restam, vai ser muito difícil àquela gente subsistir como comunidade.

O Porto tornou-se, nos últimos anos, a capital dos voos low cost em Portugal. Neste momento, S. Miguel procura também um boom nos voos low cost. Acha que isso pode trazer prejuízos para S. Miguel ou no meio destes prejuízos o saldo é positivo?
Não vou ser pessimista de que tudo é negativo. Mas, pela experiência que tenho, há uma parte significativa do centro histórico, de casas que estavam desabitadas ou sem condições, que agora estão habitadas por gente que vem para uma vida, muitas vezes, pouco recomendável. Não sei o que vai acontecer aqui em S. Miguel mas penso que pode acontecer algo igual. Porque os voos low cost são baratos e para turistas fáceis que não frequentam restaurantes, e não sei se será tão benéfico quanto isso. Há muita gente no Porto que considero que têm dúvidas, eu tenho as minhas também.



A parceria com a Associação Rigor e Coragem

Fale-nos um pouco sobre esta parceria com a Associação Rigor e Coragem.
A iniciativa nasceu do lado da Associação, e foi-me proposta a parceria de uma forma muito simpática para cuidar e batizar os meninos de S. João Batista. E eu propus a um dos membros da Associação, além de batizar os meninos, que cuidássemos deles antes de nascer, que era a celebração da bênção das grávidas na festa da Senhora do Ó, também em S. Nicolau, no Porto. A ideia foi acolhida, de forma a recuperar valores da família e não só, dando-lhe uma outra vertente. Foi bem aceite, tive lá meia dúzia de mães grávidas de vários níveis sociais, e também esteve implicada a parceria com a associação. E agora estamos aqui a dar outro passo em frente no sentido de concretizar batismos para o S. João.

E será a primeira vez que se vai realizar neste formato, quer no Porto quer em S. Miguel?
Há aqui uma ideia de ligar o S. João Batista, valorizando o ato religioso.

Talvez porque, neste momento, o S. João, o S. Pedro, têm mais o profano como bandeira e não o aspeto religioso.
Isso é verdade e acho que, da minha parte, já iniciei há uns anos essa dinâmica de dar um sentido mais correto ao S. João porque é a festa do solstício de verão que é a festa pagã ao deus do sol, e que a Igreja nunca conseguiu, de uma maneira plena, batizar ou cristianizar. E de tal forma tem sido que se tem dado muito mais visibilidade à festa pagã do que à festa religiosa. Por isso, temos chamado a atenção para a festa religiosa em S. João Novo onde é feito o grande S. João no Porto, na Ribeira e naquela zona, e agora pegar no batismo de João penso que é pegar também, a partir da realidade sociológica e cultural, pegar no sentido mais profundo ou mais sustentável no que é o cristianismo nesta parte da vida, da família, e da natalidade que acho que são tudo problemas que estão interdependentes.

Como está a pensar realizar esta primeira sessão dos batismos de S. João no Porto? E quem pode participar?
Toda a gente pode participar desde que, nas suas respetivas paróquias, falem com o pároco e peçam licença ao bispo para estar lá. E não há nenhum obstáculo.

É só para crianças ou pode ser também para adultos que ainda não tenham sido batizados?
Pode ser toda a gente. Claro que a ideia principal é que seja crianças mas penso que, identificado com o próprio messias, podem ser adultos também.

Que mensagem gostaria de deixar aos cidadãos da Ribeira Grande?
Acho que os cidadãos precisam de acreditar em si próprios, e saber que os valores que cada um de nós é portador vale mais do que toda a sombra negativa que nos possam propor. E que a transformação do mundo depende de nós, não depende de medos nem de pretensões de ganância, que é o que está a sentir-se, a ganância do mundo. Ainda que, tanto quanto eu sei, o que se passou com a eleição do Guterres foi uma derrota da maçonaria mundial que quis à última hora por aquela senhora em Bruxelas para ser um pouco o braço estendido da maçonaria mundial e da ONU. Há aqui uma postura que me parece não estar nas intenções de muita boa gente a nível mundial. E penso que isto pode vir a alterar as formas de estar e aquilo que se disse de Guterres, que ele é uma pessoa de criar consensos e pontes, pode ajudar muito na relação dos EUA com a Rússia e tentar que o que está a acontecer na Síria se mude porque aquilo é, de facto, um assassinato em massa. Há que pensar e dizer aos ribeiragrandenses e a todos os portugueses que é necessário reconstruir o ser humano e de novo sermos senhores livres nesta terra.

E aos políticos do centro histórico do Porto, não gostaria de fazer um apelo à reflexão, a frequentarem uma das suas igrejas e refletirem?
Isso é entrar num esquema ousado e pouco prudente de meter com a vida privada dos políticos. Eu estou do lado do povo, por isso, convido o povo a tomar consciência e a exercer o seu direito cívico.




Graça Castanho, presidente da Associação Rigor e Coragem
“O que queremos é que todas as pessoas dos Açores ou de Portugal Continental possam ir batizar-se”

E em Vila Franca do Campo como é que vai ser?
Graça Castanho: Ainda não temos pormenores acerca do que vai acontecer, fizemos o convite a Vila Franca que concordou e, inclusivamente, está muitíssimo entusiasmada. Fizemos a proposta à Câmara Municipal e a receção foi deveras fantástica. Porque esta dimensão religiosa vai associar-se ao cartaz turístico que a festa de S. João já constitui.

E o bispo D. João Lavrador já deu o ok a isso?
Graça Castanho: Não tem que dar, mas vamos entrar em contacto com ele porque queremos ver também este evento nas festas de S. João de Angra do Heroísmo, as Sanjoaninas. Mas os batizados têm, efetivamente, essa dimensão religiosa que vem complementar o cartaz turístico das próprias festas que decorrem já há alguns anos e com um historial de muitíssimo sucesso. O que queremos é que todas as pessoas dos Açores ou de Portugal Continental possam ir batizar-se, desde crianças, adultos, idosos, mas também fazer essa aproximação junto das nossas comunidades de todas as partes do mundo. Vamos arrancar já com a divulgação deste projeto para que a mensagem possa chegar a todas as comunidades para que católicos, portugueses, lusodescendentes, possam vir a esse espaço para serem batizados. Acho que é uma ideia muitíssimo linda e que entronca perfeitamente nos objetivos da Rigor e Coragem que é tentar recuperar aquilo que se foi perdendo ao longo dos tempos mas também tocar e cobrir áreas que não estão a ser contempladas. O que queremos com o nosso trabalho e esforço é usar a criatividade em prol das pessoas, da necessidade de aproximação das pessoas, em termos culturais, religiosos, mas numa perspetiva bastante alargada, acolhendo todas as religiões e trabalhando também a questão social. No fundo, este projeto tem também uma vertente social bastante forte que se prende com o facto de todas as pessoas poderem ser batizadas sem qualquer custo.
Padre Jardim Moreira: A gente jovem que emigrou e experimentou, certamente, problemas sociais ou humanos, volta às origens para casar. Podemos estar aqui a mexer num processo tremendamente importante de retorno dos valores humanos, familiares e cristãos portugueses.
Graça Castanho: E é verdade porque a religiosidade e a portugalidade são muito mais vividas fora de Portugal do que propriamente dentro de Portugal pela nossa população. Encontramos esse apego, esse amor pela pátria, junto das comunidades lusas espalhadas pelo mundo, aí é que está o verdadeiro amor pelo nosso país.


Portanto, em 2017 vamos ter cerimónias de batismo em simultâneo em Vila Franca do Campo e no Porto.
Graça Castanho: Sim, em Vila Franca do Campo, no Porto, em Angra e em Gaia também. São várias paróquias envolvidas para depois concentrar em determinados espaços emblemáticos das festas de S. João.

O que pode nascer deste intercâmbio da Associação e das instituições que o padre Jardim Moreira lidera?
Padre Jardim Moreira: Penso que isto pode trazer um novo horizonte de renovar formas que já estão um bocado passadas da vida social portuguesa. E penso que esta pode ser uma forma nova de reanimar valores que as pessoas querem e procuram com uma nova visão, uma nova postura e uma nova solidariedade criada a outro nível. Penso que algo de novo pode nascer aqui muito interessante.
Graça Castanho: Todo o trabalho que vamos realizar ao nível da Rigor e Coragem terá sempre uma vertente junto das nossas comunidades espalhadas pelo mundo. Há sempre um olhar junto do país, da região, conforme as necessidades, mas também tentando chamar os lusodescendentes e emigrantes para estas dinâmicas. Já temos um conjunto alargado de iniciativas que estão a ser preparadas, como, por exemplo, uma que se prende com um mega projeto da língua portuguesa numa parceria transnacional de promover a língua portuguesa numa estratégia bastante inovadora. Hoje estamos a lançar os batizados, acho que já é uma grande responsabilidade mas há muitos outros projetos no âmbito das filarmónicas, do Espirito Santo, da língua portuguesa.

Com isso tudo, podemos estar, em breve, a trazer os lusodescendentes a batizarem-se nestas alturas do ano?
Graça Castanho: Sim, acreditamos que vamos ter muita adesão. As pessoas, no fundo, que estão nas comunidades espalhadas pelo mundo andam sempre à procura de um pretexto para voltarem. Querem vir para junto da sua terra mas para fazer algo de importante, casar por exemplo, vir mostrar aos mais novos o país de onde vieram, e claro que as localidades quando estão em festa são sempre muito mais apelativas. E sendo as nossas comunidades muito ligadas à religião claro que o batismo tem uma importância fulcral e estou em crer que muita gente virá ao abrigo deste nosso projeto.

Que potencialidades pode ter, para os Açores e para o Porto, esta geminação entre as ideias representadas por si e pela Rigor e Coragem?
Graça Castanho: A Rigor e Coragem estará sempre aberta a parcerias significativas mas esta especificamente é muito importante porque estamos a falar de fenómenos religiosos que vão acontecendo pelo país fora. E que, certamente, vão ganhar uma adesão muito significativa por parte da população que é intrinsecamente religiosa e que valoriza também essa dimensão.

Mas a Rigor e Coragem não vive de ar e vento. Como é que se pode militar nesta associação?
Graça Castanho: Sendo associado, colaborando também, participando, sendo voluntário na organização. Estamos em vias de lançar um site também e temos uma página no Facebook chamada Rigor e Coragem para quem nos quiser conhecer.




Ana Isabel Arruda Ferreira, primeira presidente e sócia fundadora da Rigor e Coragem
“Gerir a Rigor e Coragem é como uma montanha russa de ideias”

O que é presidir a uma associação como a Rigor e Coragem? O que lhe passou pela cabeça?
Ana Isabel Arruda: A associação nasceu por um motivo especial e, ultrapassados os objetivos iniciais, deduzi que a melhor presidência seria entregue à Graça. E gerir a Rigor e Coragem é como uma montanha russa de ideias porque tanto estamos nos Açores como estamos no Porto como estamos em Coimbra, em Lisboa, Gaia e quem está nestas grandes cidades está no mundo inteiro. É quase como uma rede.

Até que ponto a política e a solidariedade se podem juntar em iniciativas deste género? Porque diz-se que a política não casa com nada, casa com o interesse de cada um.
Ana Isabel Arruda: Casa se houver boa vontade, se houver objetivos comuns.

Temos o exemplo de um conjunto de seis freguesias do centro histórico do Porto que está a pagar a fatura por causa da ganancia politica.
Ana Isabel Arruda: Exatamente. Ganância política, ganância social, de um desenvolvimento desenfreado, onde o que conta é o dinheiro, a riqueza, o poder, o estatuto das pessoas e não essencialmente a população e as crianças e os jovens, e as mães e os idosos que tanto precisam de apoio e que são esquecidos.
Graça Castanho: Eu faço uma leitura contrária. Acho que política é tudo, mesmo quando funciona pela negativa, aí temos uma dimensão política que precisa de ser corrigida. Acabamos por nos abster, por afastar, porque pensamos que a política acontece nos atos eleitorais. Mas política partidária está em tudo. E faz-se sentir em tudo. Portanto, temos mesmo de ter uma posição política consciente de cidadania, com ou sem partido, mas com uma capacidade de intervenção bastante forte porque queremos ter nas nossas mãos o destino do nosso país.

Mas em ano de eleições o padre Jardim Moreira é bastante assediado para aparecer em fotografias. Porque os políticos partidários nessas alturas gostam dos pobres é isso?
Padre Jardim Moreira: É capaz de ser. Mas, infelizmente, concluo ao fim de uns anos que a política partidária no continente, neste momento, está demasiado fechada sobre a sua ideologia e pouco aberta, ou quase nada, ao bem comum. Por isso, o bem comum, neste momento, não é tarefa fácil na convergência dos partidos porque a ideologia é mais forte do que a defesa da democracia e da igualdade de direitos para todos. Lamento que a política partidária se esteja a afastar da sua verdadeira missão democrática que se propõe nos seus estatutos.
Graça Castanho: Mas se a política partidária se está a demitir dessa função então os cidadãos têm de lá estar com uma presença muito mais efetiva. Com capacidade de intervenção e de mudar o destino.
Padre Jardim Moreira: Correto.
Ana Isabel Arruda: Um dos princípios do maior partido atualmente em Portugal é exatamente a defesa do bem pessoal e da vida das pessoas. E se o partido que está no poder atualmente devia lutar pela solidariedade acho que pouco faz.
Padre Jardim Moreira: Eu acho que são todos iguais. Esta doença atingiu todos, desde a esquerda à direita. É o poder ou a subsistência da ideologia porque eles acreditam na força da ideologia e não na força dos valores. E vão perder porque a ideologia passa. Se a ideologia não for útil ao bem comum ela é desacreditada.
Ana Isabel Arruda: Hoje em dia vivemos uma grande crise social a nível de valores precisamente porque não se dá valor ao que é importante. À pessoa.
Padre Jardim Moreira: Esse é o problema que atinge a Europa toda, e não só.

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