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“Hoje em dia, o Latino é da sociedade para a sociedade”

O Centro Democrático de Instrução Latino Coelho recebeu este ano, na XI Gala Audiência que ocorreu em abril, na Ribeira Grande, São Miguel, Açores, o Troféu Audiência Instituição, distinção atribuída pelo enorme contributo que a mesma tem dado ao associativismo e à sociedade gaiense. Numa entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA, José Correia da Silva, Presidente do Centro Democrático d'Instrução Latino Coelho, falou sobre a importância da atribuição do prémio à instituição centenária e às dificuldades encontradas ao longo destes anos. Dando destaque, ao sonho de ter a casa  entregue aos associados.




Sr. Presidente, o Audiência atribui-lhe este ano o troféu de Instituição do Ano,o que é que isto representa para o Centro Democrático d’Instrução Latino Coelho?
Representa muito. Logo em princípio, representa o carinho que nós temos pelos nossos associados e que é, manifestamente,  um orgulho receber um troféu de tão prestigiado jornal, na qual,  reconhece o trabalho que se tem tido dentro destas portas. É um trabalho exemplar, na qual, a Latino Coelho ,durante anos e anos, foi um centro que não estava virado para a sociedade, mas sim, para certos grupos de associados e nós transformados o Latino Coelho virado para a sociedade. Hoje em dia, o Latino é da sociedade para sociedade. E sermos reconhecidos pelo Jornal Audiência pelo nosso trabalho é algo que nos vai dar mais ânimo porque temos mais responsabilidade, nomeadamente, na ação social nós temos muitas carências no dia-a-dia dentro das nossas portas para a qual nós temos que dar resposta a todas as situações que nos aparecem.

Quais são as principais atividade que atualmente o centro oferece à comunidade?
Logo à partida, a nossa instituição funciona quase como um centro de dia. As pessoas com idade mais avançada, o que eu intitulo como os “sábios da vida”, têm aqui o conforto que eles precisam quando chegam aos términos da vida. Depois, em termos de atividade, temos aqui a arte ninja da Escola Ninjas de Manuel Almeida, que já está connosco há 4 anos, onde treinam às terças e quintas com cerca de 15 a 20 crianças. Temos também a dança, com os instrutores de fit be, Sérgio Ferreira, à segunda-feira e ao sábado, e as instrutoras Marta e Filipa que treinam às quartas e sextas. Ainda temos um conjunto de atividades desportivas, como o futebol de 7 e também, os jogos lúdicos nomeadamente os dominós e a sueca.

Esta coletividade atravessou e atravessa momentos difíceis, nomeadamente,  no campo financeiro porque existe um buraco que é preciso suprir a todo o instante. Que iniciativas tem pensado esta direção para tentar ultrapassar esse problema e proporcionar uma vida estável a esta instituição centenária.
Esta direção quando chegou aqui, em 2011, tinha só as paredes ao alto, nem uma luz existia para nos iluminar. Nós conseguimos, com muito esforço e trabalho, ter hoje a casa equipada da melhor forma, sem dever nada a ninguém. Logo à partida, temos as iniciativas de raiz cultural que são rentáveis. Depois, temos tido bons colaboradores ,a nível de bar, e que dá alguma rentabilidade de forma, a que possamos suprir os encargos que temos tido nestes últimos anos. Mas, há um problema que nos preocupa bastante que é a questão do edifício. Nós temos tido, ao longo destes anos, o apoio da Junta de Freguesia de Santa Marinha. Aliás, é o único parceiro que temos tido com o apoio financeiro direto através de protocolos, embora, nós achamos sempre que os protocolos são curtos, mas é o que a Junta tem podido oferecer para satisfazer as necessidades do Latino Coelho. Claro, que nós gostaríamos que fosse mais porque, ainda este ano, tivemos as marchas latinistas, que foi um orgulho para todos nós associados e para a sociedade em geral, e foi bastante cara, apesar de termos tido o apoio de vários particulares e de várias empresas, na qual, a Junta de Santa Marinha também teve a sua quota parte na atribuição de um subsídio, que nos proporcionou a saída das marchas.  
No nosso aniversário tivemos também aqui uma prova de cicloturismo.
Todas estas atividade são iniciativas que procuramos retirar rentabilidade para que haja algum encaixe financeiro para satisfazer as necessidades que nos vão aparecendo no dia-a-dia.

Esta direção foi confrontada com um problema grave que tem haver com o edifício sede que implica uma ginástica muito grande. Como é que é possível manter este edifício?
Este edifício é sempre possível mantê-lo. Aliás, nós temos os associados que são a base de suporte desta casa mas, sem a colaboração da Junta de Freguesia de Santa Marinha e, aqui eu faço questão de referir bem, sem o apoio direto da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, a Latino Coelho não poderá ter a sua casa de volta. Já que terá de ser a Câmara, o primeiro parceiro ativo, a dar o empurrão para que a casa regresse à sua origem, que seria ao lugar que deveria estar sempre, a casa dos associados. Hoje em dia, o centro pertence ao Banco + e só com a ajuda ou intervenção direta da Câmara, da Junta de Freguesia, dos associados e desta direção é que poderemos ter o nosso sonho cumprido, ter a casa de volta.

Como é que esta instituição pode pagar ao Município uma intervenção direta aqui, falou há pouco dando mais atividades a idosos mas, que mais pode dar ou se esta atividade já por si justifica um apoio desse género.
Em termos de apoios através da Câmara, nós queremos que a nossa obra seja reconhecida, nomeadamente, no apoio à terceira idade. O apoio à terceira idade hoje é muito fundamental. Nós aqui oferecemos diariamente lanche aos idosos sem recurso, ou seja, todo o idoso que não tenha capacidade financeira para tomar a sua meia de leite e o seu pão com manteiga, nós aqui damos esse leite e esse pão com manteiga, um ou dois, aquilo com o que o idoso se satisfazer, gratuitamente. Este trabalho social deve ser reconhecido tanto pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia como pela Junta de Freguesia, uma vez, que o nosso centro funciona diariamente como um centro de dia, um local onde muitos idosos vêm para cá para conviver e acima de tudo, nós sabemos que há muitos idosos que a única refeição que têm é nomeadamente da parte de tarde, quando vêm tomar a sua meia de leite e os seus pãezinhos com manteiga.

O que é que gostava que acontecesse da parte das entidades públicas para ajudarem a levar a bom porto a sua missão enquanto Presidente da direção.
Eu não gostaria de sair daqui sem ver realizado um sonho, que eu vi destruído quando cheguei aqui a 1 de fevereiro de 2011, que seria o Latino Coelho ter a sua casa de volta. Aqui há um papel fundamental da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, da Junta de Freguesia de Santa Marinha e até do próprio Estado porque, nós substituímos muitas vezes o Estado na sua função primária, que é a função social, e se isso acontece também deveríamos ser reconhecidos como tal. A Câmara e a Junta de Freguesia poderiam interceder, através da influência que têm, no governo e no banco para elaborar um acordo,embora, o Latino tivesse a responsabilidade também de liquidar monetariamente, com tempo, a recompra do edifício.

Gostaria que a Câmara fosse avalista nessa atuação...
Gostaria que a Câmara fosse um parceiro ativo na resolução deste processo que muito me aflige, dia e noite.

E, não tem visto essa receptividade pela parte da Câmara...
Não tenho visto porque nós tivemos um problema gravíssimo, no dia 4 de janeiro deste ano, na qual, recebemos uma sentença, a 19 de dezembro do ano passado, onde teríamos que liquidar a famosa letra que já existia desde o ano de 2006, senão teríamos que fechar portas, ou seja, era o fecho imediato do Centro Latino Coelho, uma instituição centenária. Apelamos à Câmara, inclusive eu e dois vice-presidentes fomos a uma assembleia municipal explicar aos deputados tudo aquilo que se estava a passar, ao Presidente da República, ao Senhor Ministro, que na altura era o Doutor Passos Coelho e ao então Primeiro Ministro, António Costa, a muitos deputados da nação, inclusive do ciclo do Porto, e a vários Presidentes da Junta, não há nenhum Presidente da Junta do Concelho de Vila Nova de Gaia que não tenha conhecimento do caso. Apelamos a todos eles para que não deixassem morrer uma instituição centenária, que é o Centro Democrático Latino Coelho.

E qual foi a resposta?
A resposta que tivemos de várias instituições foi exatamente o mesmo ponto de partida que tinha antes de enviar as solicitações, se estávamos a zero a zero ficamos.

Isso deixou-o triste.
Deixou-me triste e acima de tudo desiludido com as instituições porque há alturas na vida que eu paro para pensar se vale a pena estar à frente de instituições públicas com portas abertas para que a sociedade possa ter aquilo que muitas vezes não tem, que é o conforto e o carinho. Substituir o Estado na sua função primária e ver que há uma desilusão total, há um desinteresse, um abandono mas, acima de tudo, há aquilo que eu sempre chamei de irresponsabilidade das situações que se passaram nesta casa.

Eu olho aqui para a parede da sala de reuniões da direção e vejo alguns quadros com algumas figuras que, provavelmente, terão sido Presidentes desta instituição. Refira-me alguns nomes relevantes do panorama cultural e associativo gaiense que tenham passado por esta instituição.
Logo à partida, eu tenho que fazer referência como, não podia deixar de ser, ao nosso patrono, José Maria Latino Coelho, que foi um homem, que no tempo da monarquia, quando foi fundado este centro, deu o seu nome para que a nossa fundação tivesse o êxito para se prolongar no tempo. Depois, tivemos aqui Presidentes como o Alpoim Monteiro, o Professor Mário Araújo, que foi uma referência a nível nacional, e, ainda, tivemos aqui muita gente ligada ao mundo da cultura. É um orgulho para nós ter como associados desta casa embora sejam sócios honorários mas são sempre sócios, o General António Ramalho Eanes, assim como, o Doutor Luís Filipe Menezes, o Diretor do Teatro Nacional, Salvador Santos, e o Doutor Júlio Gago, que também foi ligado ao teatro. Presentemente, temos o próprio Vereador da Cultura do Município de Vila Nova de Gaia, o Doutor Delfim Sousa,que é um sócio desta casa.  Esta instituição é rica a nível de associados.Temos, também, um associado que nós prezamos muito porque, não só pelos cargos que ele ocupou na via pública como ainda ocupa, é uma pessoa sempre amiga e atenta aos problemas desta casa falamos de Manuel Moreira, Governador Civil do Porto e, atualmente, Presidente da Câmara do Marco de Canaveses. Por último, quero referir um homem que para nós é fundamental nesta casa, eu deixei para último por causa disso, Joaquim Leite, um homem com origens humildes, ligado ao ciclismo,foi Presidente da Junta mas, acima de tudo, um homem que está sempre presente na Latino Coelho, tudo o que tem aqui acontecido ele tem sido sempre uma voz amiga e uma pessoa sempre presente pois,quando aconteceu o que aconteceu aqui nesta casa, ele foi uma pessoa que esteve sempre presente, não só dando apoio moral mas também monetário, tem sido um sócio que tem contribuído para que estas portas se mantenham abertas.
Quando se fala em Centro Latino Coelho fala-se em 110 anos de história. A história conta-se pelas pessoas que passaram por esta casa, conta-se com as que cá estão mas, conta-se com aquelas que hão-de vir e que hão de ter orgulho no passado do Latino Coelho. Há uma geração que eu gostaria de muito de sublinhar que é a geração atual. A geração atual tem tentado e tem feito de tudo para manter o Latino Coelho de portas abertas e, quando nós temos um jornal como o Audiência a dar voz àqueles que não a têm, desinteressadamente, só com o intuito de informar quem deve ser informado e divulgar a obra de quem trabalha.

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