Roncopatia e Apneia Obstrutiva do Sono – Como o Terapeuta da Fala pode ajudar?

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Dormir é um ato necessário, periódico e complexo que nos permite descansar e ativar sinapses, possibilitando a aprendizagem e a consolidação de memórias. O sono de um adulto deverá durar entre 7 a 8 horas diárias.

 

As alterações do sono podem trazer sérias repercussões ao nível da saúde mental, efeitos cardiovasculares, reprodutivos, cerebrais e uma maior probabilidade de desenvolvimento de doenças oncológicas. Assim, pela importância que representa, é imprescindível que o sono seja de qualidade e para que tal seja possível é indispensável uma respiração adequada.

A roncopatia refere-se ao ruído emitido durante o sono por colapso parcial dos tecidos nasais e/ou orais. Já o termo ‘apneia’ deriva do grego «vontade de respirar» e apresenta como sintomas mais comuns o ronco, respiração oral, agitação ao dormir, insónias, interrupção intermitente da respiração durante o sono, impotência sexual, irritabilidade, cansaço, dores de cabeça matinais, sonolência diurna e sensação de sufoco ao acordar. Este é um problema grave, que não deve ser ignorado ou desvalorizado, uma vez que também pode ser responsável por alterações de personalidade, da atenção, da aprendizagem e da memória, por acidentes ocupacionais e rodoviários, por hipertensão e até morte súbita.

As alterações do sono têm um forte impacto nalguns órgãos e estruturas (p.e.: língua, arcada dentária, maxilar, faringe…), que devem ser reeducados para a sua correta função por um terapeuta da fala, dado que essas modificações anatómicas poderão influenciar negativamente outros processos vitais para além da respiração, como a mastigação, deglutição e a fala.

Tal como se verifica noutro tipo de patologias ou perturbações, é fundamental um trabalho em equipa, multidisciplinar, para um correto e adequado restabelecimento de posturas, músculos e funções. Nestes casos, para além do terapeuta da fala, deverão fazer parte da equipa de intervenção um fisioterapeuta, um neurofisiologista, um pneumologista e um otorrinolaringologista. A intervenção do terapeuta da fala tem como objetivos principais a desativação dos padrões pré-estabelecidos (proprioceção e consciencialização), a adequação de grupos musculares e de padrões funcionais e a automatização e manutenção dos padrões aprendidos.