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Mitos sobre a Gaguez

Existem imensos mitos em torno desta condição, que muitos pais de crianças que gaguejam têm como adquiridos. Este tipo de crenças para além de, na maioria das vezes, não corresponderem à verdade, poderão ter um forte impacto na evolução do quadro de gaguez da criança e trazer repercussões para a sua vida social.

 

Serão então enumerados e comentados os mitos mais comuns:
- A pessoa gagueja porque apanhou um grande susto na sua infância.

A gaguez corresponde a um distúrbio neurofisiológico originado por alterações nalgumas áreas cerebrais, que provocam um desajuste no tempo de duração dos sons e das palavras e as consequentes repetições, prolongamentos e bloqueios que caracterizam esta condição. Existe, por outro lado, uma predisposição genética, pelo que algumas pessoas têm mais tendência para gaguejar do que outras. Não se desenvolve gaguez na sequência de um susto ou trauma psicológico.

- A criança começou a gaguejar porque os pais são muito rígidos.
Os progenitores não são os responsáveis pelo aparecimento da gaguez. Contudo, podem manifestar atitudes e comportamentos que agravam fluência da criança (pais superprotetores, dominadores, muito perfecionistas, que manifestam sentimentos de rejeição ou expetativas demasiado altas no filho). Deste modo, apesar de não serem os causadores do distúrbio, é importante que haja um ambiente familiar que promova a fluência, mas que, ao mesmo tempo, apoie a criança nos seus momentos de gaguez.

- Quem gagueja fá-lo porque pensa mais rápido do que fala.
A velocidade do pensamento é sempre superior à velocidade da fala. Esta não pode ser considerada uma causa para a gaguez.

- A gaguez desaparece com o tempo.
De facto, existe um período em que é possível que ocorra uma ‘gaguez fisiológica’ e esta, grande parte das vezes, desaparece de forma espontânea. No entanto, este tipo de gaguez tem características que diferem das características de uma gaguez que poderá persistir até à idade adulta. Deste modo, é de extrema importância que a criança seja sempre avaliada por um Terapeuta da Fala.

- O stress, a ansiedade, a baixa autoestima e a timidez causam gaguez.
Nenhum destes sentimentos causa gaguez, mas é importante reter que podem agravá-la.

- A gaguez pega-se quando ouvimos sistematicamente outra pessoa a gaguejar.
É certo que quando ouvimos alguém gaguejar podemos ter tendência para fazê-lo, mas não ficamos gagos. Existem fatores de risco que têm um papel preponderante na gaguez, como fatores neurológicos, genéticos, do ambiente familiar e social.  

- Ajuda dizer: ‘Calma, fala devagar, respira, pensa antes de falar’.
Estes comentários não ajudam a criança ou adulto a melhorar a sua fluência, antes pelo contrário! Só os fazem ficar mais conscientes e preocupados em relação à gaguez, podendo até exacerbá-la. Se ficarmos calmos, não acabarmos as frases do interlocutor, se articularmos bem as palavras e usarmos uma forma lenta e relaxada de falar estamos a contribuir para que a pessoa com gaguez se sinta confortável na comunicação connosco.

- Se a criança não gagueja nalgumas situações, é sinal de que consegue ser fluente quando quer e que controla a gaguez.
A fluência do discurso varia de acordo com as circunstâncias, o que significa que há diferenças na forma como o cérebro processa a fala, tendo em conta a situação e o contexto. No discurso espontâneo, habitualmente, verificam-se mais disfluências. Já quando a pessoa canta, lê em coro ou altera a melodia do seu discurso, nota-se uma melhoria da gaguez, porque as áreas cerebrais que são ativadas para este tipo de tarefas são diferentes das ativadas aquando da fala espontânea.

- Quem gagueja é menos inteligente.
Este mito surge porque as pessoas com gaguez, normalmente, são pessoas mais tímidas e caladas, pelo que expressam com menor frequência a sua opinião, apenas para não terem que passar por situações de gaguez à frente dos interlocutores. Não existe uma relação entre a gaguez e o QI (Quociente de Inteligência).

Tendo em conta os mitos anteriormente mencionados, é de extrema importância que sejam tidos em conta todos os sinais de alerta e de risco, principalmente no período de aquisição da linguagem, e que a criança seja avaliada precocemente por um Terapeuta da Fala, para que o prognóstico seja o melhor possível.

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