“Daqui a cinco anos, estarei na luta eleitoral com mais experiência”
- Detalhes
- Categoria: Política
- Publicado em domingo, 02 outubro 2016 12:45
- Escrito por Joana Vasconcelos
A vencedora do Troféu Portugalidade 2015 na Gala do Jornal AUDIÊNCIA admitiu, numa entrevista exclusiva, que será candidata nas próximas eleições presidenciais, daqui a cinco anos. Graça Borges Castanho falou ainda da importância de ter recebido esta distinção, principalmente por ter sido no concelho onde nasceu.
Que valor teve para si a atribuição do 1º Prémio Portugalidade 2015?
É sempre gratificante ver reconhecido o trabalho que tenho desenvolvido nos últimos trinta anos em prol de Portugal, das comunidades e da Língua Portuguesa, bem como a minha intervenção política no meu país. Este prémio, depois de outros que me foram atribuídos nos EUA, Canadá, Brasil e Ponta Delgada, teve um significado acrescido porque decorreu no concelho onde nasci. Num país que tem por hábito homenagear postumamente e que elege maioritariamente o elemento masculino para este tipo de honraria, foi relevante esta distinção pela possibilidade de inspirar as novas gerações e outras mulheres. O meu obrigada, mais uma vez, ao Jornal AUDIÊNCIA.
Era um sonho seu ser candidata às Presidenciais 2015. Que análise faz dessa experiência?
Com efeito, era meu propósito candidatar-me. Fiz o que estava ao meu alcance para concretizar esse sonho. A escassos dias de apresentar a minha candidatura, sofri um acidente que colocou em risco grande parte das assinaturas que havia recolhido. Com o infortúnio, que se revelou um duro golpe, na altura, percebi que, por alguma razão, o destino me havia afastado daquele propósito. As tristezas e os insucessos também nos trazem ensinamentos. As eleições de 2015 não foram o momento certo para o meu projeto de cidadania.
Quer isto dizer que vê como possível uma nova candidatura daqui a cinco anos?
Sem dúvida, se estiver viva e com saúde. Não se desiste de um sonho por causa de uma adversidade. Daqui a cinco anos, estarei na luta eleitoral com mais experiência, defendendo um lugar de paridade para homens e mulheres nos mais altos cargos da nação.
As pessoas que a conhecem dizem que é uma mulher sempre envolvida em projetos.
A minha vida tem sido pautada por experiências muito ricas. Fui vereadora da Cultura e Ação Social da Câmara de Ponta Delgada, fundadora do Instituto de Educação e Ensino, Conselheira na Embaixada de Portugal em Washington DC, diretora regional das Comunidades do Governo dos Açores, presidente da Assembleia da Junta de Freguesia de Maia, coordenadora do Plano Nacional de Leitura, etc. Sou docente na Universidade dos Açores, com formação ao nível de pós-doutoramento na Harvard University. Tenho investigação realizada em Portugal, nos EUA, em Moçambique e no Brasil. Além destes aspetos, fui pioneira num conjunto alargado de projetos que muito me honram. Por exemplo, em Portugal, fui a responsável pelo 1º evento cultural dirigido às comunidades imigrantes com a I Semana Multicultural de Ponta Delgada; iniciei as primeiras aulas de Inglês a crianças nos Açores numa escola particular; organizei as primeiras ações de formação nos Açores sobre Educação Especial; criei e apetrechei três bibliotecas infanto-juvenis (duas em Moçambique e uma na minha freguesia); recentemente organizei o 1º evento sobre Efemérides Internacionais e Mundiais; contribui para a divulgação do ensino do Português nos EUA, participando em mais de uma centena de eventos naquele país; fui cofundadora do Centro de Cuidados Paliativos dos Açores, entre muitas outras ações.
Que projetos tem para o futuro?
Para além da vida académica e da publicação dos livros que ando a preparar, é meu desejo intervir cada vez mais nas questões que se prendem com a implementação dos direitos humanos e com a capacidade criadora e criativa das populações mais fragilizadas no mundo contemporâneo.
