“Quero fazer uma campanha de proximidade”
- Detalhes
- Categoria: Política
- Publicado em sábado, 24 setembro 2016 12:16
- Escrito por Joana Vasconcelos
Ana Afonso é a candidata oficial do CDS por S. Miguel nas próximas eleições regionais. A apresentação da empresária açoriana contou com a presença da líder do partido, Assunção Cristas, que não poupou elogios à candidata. “Garanto-vos que a Ana Afonso tem vocação para a política e vai muito longe”, assegurou.
Foi oficialmente apresentada a candidata do CDS às próximas eleições regionais dos Açores. Empresária de sucesso e reconhecida por todos, Ana Afonso foi o nome escolhido pelo partido para ser a representante de S. Miguel no parlamento regional.
“Quando foi necessário encontrar um rosto novo para dar a cara pelo CDS, eu e o Artur Lima conversávamos e surgiu o nome da Ana Afonso, desafiamo-la e ela aceitou. E o aceitar nos tempos que correm é já de si uma prova de enorme generosidade, de enorme entrega aos outros. Nem todos têm vocação para a política mas eu garanto-vos que a Ana Afonso tem vocação para a política e vai muito longe”, afirmou a líder do partido, Assunção Cristas que fez questão de estar presente na apresentação.
Assunção Cristas relembrou como conheceu a agora candidata pelo partido, há cinco meses em Lisboa, num stand dos Açores onde Ana Afonso estava a representar a sua empresa, a Salsicharia Ideal. “E nessa altura fiquei de olho nela. E quando a vi trabalhar, fiquei extraordinariamente impressionada com o exemplo de liderança, carinho, capacidade de agregar e constituir equipa. Observei um exemplo notável de dedicação, serviço, cidadania, trabalho árduo, disponibilidade e amor próximo”, reforçou a líder do CDS-PP.
Assunção Cristas não poupou, de facto, elogios a Ana Afonso considerando-a “uma força da natureza que vai agregar à sua volta novos e menos novos” porque vem pelas “razões certas”. “Dizem que os partidos estão fechados em si próprios, que não são capazes de se renovar. Mas aqui temos um exemplo extraordinário de alguém que vem pela razão certa que é o serviço aos outros. Estou certa que a Ana Afonso vai ser eleita por S. Miguel, vai fazer mais e melhor por S. Miguel, pelos Açores, e vai ter um grande futuro ao serviço desta comunidade. E há tanto para fazer nos Açores”, comentou.
Por seu lado, Ana Afonso agradeceu a presença de todos nesta apresentação, especialmente de Assunção Cristas, que a tem “apoiado desde o início nesta nova etapa”, bem como a Artur Lima, presidente do CDS-PP/Açores, e a toda a família, amigos e funcionários que a têm apoiado incondicionalmente num desafio que a própria não contava.
“Se me dissessem há um ano atrás que iria estar aqui hoje nesta posição a concorrer para ser eleita como deputada por S. Miguel nas próximas eleições regionais, diria que estava tudo doido. Possivelmente, eu é que sou a doida, mas são estes desafios que me inspiram. Ao olhar agora para todos vocês, percebo que tomei a decisão certa”, afirmou a candidata.
Admitindo que esta não será uma tarefa “fácil”, Ana Afonso mostrou-se determinada em levar para a frente a candidatura e atingir o objetivo de ser eleita, relembrando que, também quando começou com o seu negócio, não estava totalmente preparada.
“Não vai ser fácil, eu sei, mas esta é a história da minha vida. Nada foi fácil, tudo foi com trabalho. Vou-vos confessar, não percebia nada de salsicharia, a única coisa que sabia era que havia uma diferença entre produtos embalados e salsichas frescas. E para que esse desafio fosse um sucesso, percebi que tinha de começar de baixo, tinha de aprender a fazer todas as tarefas e investir na minha formação. Trabalhei de domingo a domingo. Lutei, falhei, e algumas vezes até chorei, houve alturas em que pensei desistir, mas insisti e consegui. Esta foi a experiência que mudou a minha vida, aprendi que qualquer um de nos pode fazer coisas extraordinárias quando tem uma oportunidade”, relembrou.
Desta forma, Ana Afonso espera conseguir o mesmo na política, com o “mesmo espírito, capacidades e vontade de fazer melhor”, garantindo que irá “ouvir e servir de forma diferente e melhor”.
“Esta é a oportunidade de vos ouvir, de aprender convosco, de vos servir de uma forma diferente e melhor. Quero fazer uma campanha de proximidade, sentir os vossos anseios, ouvir os vossos problemas e os vossos sonhos. Quero trabalhar para diminuir os medos, encontrar soluções para os problemas, e trazer esperança aos vossos sonhos. Mas não consigo fazer sozinha, preciso de todos. Quero fazer de nós uma família micaelense. Juntos podemos ser melhores”, reforçou Ana Afonso.
A cerimónia contou ainda com a presença do secretário-geral Pedro Morais Soares e do presidente regional do partido, Artur Lima, que assegurou estar confiante da sua escolha. “A Ana é uma pessoa extraordinária, com garra, que construiu um percurso de vida verdadeiramente notável. É uma grande profissional e, com certeza, vai ser uma grande deputada”.
“É este tipo de pessoas, com garra, não dependentes, que têm algo de novo para trazer à política, que trazem ideias para a sua terra, região e país. É preciso que haja em S. Miguel quem ponha os pontos nos is. E, por isso, não tenho dúvidas que os micaelenses vão eleger a Ana Afonso para representar a sua terra com dignidade, alegria e, sobretudo, com serenidade e com convicção de defender os seus interesses”, acrescentou o presidente do CDS/Açores.
Artur Lima destacou ainda o facto de a candidata do CDS ser uma pessoa da terra e admitiu mesmo que “o parlamento dos Açores vai ser dignificado” com a presença de Ana Afonso. Contudo, o presidente do CDS/Açores não deixou de lembrar que há problemas na região que não podem ser esquecidos, como a Carta Regional das Obras Públicas.
“Estavam previstas 399 obras nessa carta. Dessas, 30 por cento não foram concluídas, 20 por cento estão em execução e apenas 50 por cento adjudicadas. Mas há coisas mais graves, há obras que levaram dois anos a arrancar, depois de aberto o concurso, e os açorianos e os empresários não se podem deixar iludir pelas promessas do PS”, afirmou o presidente.
“Temos de denunciar esta situação. Não é aceitável. Aqui no CDS até chamamos isto a Carta Regional das Obras Paradas. Ana, tens de por S. Miguel e os Açores em movimento”, reforçou.
Também Francisco Santos, líder da Juventude Popular dos Açores, teceu elogios a Ana Afonso e garantiu que a JP está incondicionalmente ao lado da candidata. “A sua candidatura preconiza algo que ultimamente na política parece inédito, que é o valor e competência que vem da cidadania e da entrega à causa pública, que encara a política não como um serviço a si próprio mas ao serviço dos outros”, afirmou.
“E pessoas como a Ana Afonso, com prestígio social e uma carreira profissional invejável, só podem chegar à política e reivindicar o seu lugar, vendo no CDS um partido que aposta no mérito e não no carreirismo. E à JP não restam dúvidas, a Ana Afonso vai ser eleita e vai ser motivo de orgulho para todas as novas gerações do partido”, acrescentou o líder da JP/Açores.
À semelhança do presidente do partido nos Açores, também Francisco Santos criticou a atual liderança socialista considerando mesmo que o PS tem “transformado a administração pública num feudo que não deixa a sociedade avançar, não cria emprego próprio e cria um clima viciado de absoluta dependência da máquina estatal”. “Não é isso que o CDS pretende e não é isso que a Ana Afonso defende, porque a sua vida profissional é uma prova de liberdade”.
Francisco Santos destacou ainda a aposta na educação e a criação de emprego, principalmente para os jovens, como alguns dos pontos essenciais para o CDS nos Açores e relembrou que a não participação dos jovens na política traz consequências inevitáveis. “A penalização pela não participação na vida política é serem governados pelo inferior. Sigam o exemplo da Ana Afonso, queiram contribuir porque não há nenhum país democrático que não seja governado por políticos, cabe a nós decidir, através da política, a nossa vida e não delegar essa escolha em mais ninguém”.
Das críticas regionais às nacionais
Aproveitando a ocasião, Assunção Cristas não deixou de fazer uma comparação entre a atuação do governo regional com o governo nacional. A nível regional, a líder do CDS-PP lembrou que apesar da “paisagem magnífica”, tem de se olhar também para “os números da economia, do emprego, das atividades económicas tradicionais” que estão a passar por dificuldades. “Percebemos que há outras atividades, como o turismo, que ainda precisam de desabrochar numa lógica de sustentabilidade e de harmonia com o desenvolvimento do território”, acrescentou.
Contudo, para a líder do CDS-PP, “a opção socialista, não só nos Açores como em S. Miguel e no país, é uma opção que não favorece o investimento, que não cria confiança nem entende que é das empresas privadas e dos empresários que arriscam o seu dinheiro que nascem postos de trabalho”. “Sentimos que, infelizmente, não é o foco do nosso governo”, afirma Assunção Cristas.
“Infelizmente os Açores conhecem esta realidade há muito tempo, nós estamos a reconhecer de novo a nível nacional. Um governo que se auto baixa no setor do Estado, que cria dependências, que não cria as condições para o desenvolvimento da atividade económica, que não lhe interessa o florescimento da atividade económica”.
“E nessa matéria creio que os exemplos de trabalho, de mérito, liberdade, de criar condições para a iniciativa privada que a Ana Afonso tão bem corporiza são aqueles que estamos a precisar de ver executados aqui nos Açores. É por isso que acredito que teremos capacidade de trazer mais voz, mais iniciativa, e mais propostas em benefício de S. Miguel”, acrescentou.
Já a nível nacional, Assunção Cristas criticou as prioridades do governo socialista, nomeadamente na redução das horas na função pública, afirmando mesmo que o PS entende que pondo mais dinheiro no bolso das pessoas as pessoas vão rapidamente dinamizar a economia”. “Infelizmente não é isso que se verifica. A economia portuguesa não está mais dinâmica, os empregos não estão a aparecer, o desemprego não está a descer de forma significativa, e vemos um primeiro-ministro com opções erradas que continua a dizer com grande ligeireza, que o caracteriza, que está tudo bem e que tudo vai dar certo”.
“O Primeiro-Ministro e este Governo estão a brincar com o fogo quando atuam com irresponsabilidade, ligeireza e imprudência. É a austeridade à la esquerda a ser aplicada e gostava de saber onde estão os partidos da esquerda a olhar para esta sub-austeridade e a explicar às pessoas, aos professores nas escolas, aos diretores de escolas que não têm dinheiro, aos hospitais e administrações que não têm dinheiro, aos fundos da agricultura que não chegam e estão bloqueados, explicar como é que é governar à esquerda”, acrescentou.
Também o orçamento participativo implementado pelo Governo, no valor de 3 milhões de euros, foi alvo das críticas da líder do CDS. “Esse valor dá 33 cêntimos a cada português. Pergunto-me se o Primeiro-Ministro não se terá esquecido que já não é presidente da Câmara de Lisboa. Todos sabemos que um país que não tem um sistema financeiro sólido e credível dificilmente consegue ter uma economia a andar para a frente. Pois o que vemos é o Primeiro- Ministro, de forma completamente irresponsável, dizer que é preciso um banco mau pra limpar 20 mil milhões de euros do sistema financeiro”.
António Costa foi, de facto, um dos principais visados nas críticas de Assunção Cristas, que disse mesmo que o atual Primeiro-Ministro “fala como se tudo fosse o assunto mais banal deste mundo”. “Não sabemos quando é que o país vai ter oportunidade de virar a página desta história, mas a cada semana que passa o país degrada-se mais. A cada dia que passa a desconfiança aumenta, são mais investidores que não poem dinheiro no nosso país. E isto significa que a vida das pessoas fica pior e em mais risco”, concluiu a líder do CDS.
