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“O nosso trabalho ao longo dos últimos três anos foi um trabalho de continuidade”

Foi com o espírito de “dar à freguesia” o que a freguesia lhe deu na sua infância e juventude que João Moniz aceitou o cargo de presidente da Junta de Freguesia da Ribeira Seca. Hoje, quase a terminar o primeiro mandato, João Moniz sente-se realizado pelo que já alcançou mas admite que espera, até ao final do mandato, concluir alguns projetos essenciais para a Ribeira Seca, nomeadamente, um dos principais anseios da população: a Casa Mortuária. Em entrevista ao AUDIÊNCIA, João Moniz falou sobre o passado, presente e futuro da freguesia a que preside e deixou patente uma possível recandidatura à Junta de Freguesia nas próximas eleições autárquicas.




Foi difícil suceder a Carlos Anselmo na presidência da Junta de Freguesia?
Tive a felicidade de trabalhar com o Carlos Anselmo sensivelmente oito anos, quatro anos como membro da Assembleia de Freguesia da Ribeira Seca e depois outros quatro anos como tesoureiro da Junta de Freguesia da Ribeira Seca. Carlos Anselmo estava limitado, de acordo com a lei, de se candidatar novamente e, na altura, foi de certa forma normal que alguém do executivo lhe sucedesse. Assim sendo, diria que foi bastante fácil porque já conhecia os trâmites, os processos, as obras que estavam em curso e, basicamente, o nosso trabalho ao longo dos últimos três anos foi um trabalho de continuidade, não só às necessidades da Junta de Freguesia mas também dar resposta aos anseios da população.

O edifício da Junta também é recente, com cinco anos. Isto é sinonimo de que a freguesia da Ribeira Seca não para de evoluir?
Temos tentado fazer por isso. Este edifício foi um anseio e um objetivo do executivo liderado por Carlos Anselmo e iniciou-se em 2002/2003. Quando entrou para a Junta de Freguesia percebeu logo que seria uma necessidade para a freguesia e para dar alguma dignidade ao poder local que, infelizmente, muitas vezes é um poder mal amado e pouco acarinhado. Carlos Anselmo percebeu que as valências e instalações que existiam anteriormente não tinham as potencialidades nem davam resposta às necessidades da freguesia e teve então a necessidade de adquirir este imóvel que estava completamente devoluto e necessitava de uma reabilitação integral e, ao longo de praticamente 9 anos, andou a lutar para em 2011 então inaugurar. O edifício foi completamente demolido, apenas foi mantida a fachada, todo o interior foi reconstruido e, atualmente, temos aqui um edifício com excelentes valências, com boas salas para desenvolver quer as atividades da Junta de Freguesia quer as atividades de forças vivas da freguesia.

O que é que a Junta de Freguesia da Ribeira Seca tem de especial capaz de cativar um engenheiro/empresário a ser seu presidente?
Penso que se fizer esta pergunta a qualquer pessoa que já esteve envolvida no poder local, em Juntas de Freguesia, forças vivas em geral, fica-se com o bichinho e com aquela ansiedade de também poder dar um contributo daquilo que de melhor se sabe fazer, neste caso em particular, na sua freguesia. Sou um cidadão desta terra, aqui tive a minha infância e juventude, por isso, tenho uma ligação muito forte a esta terra. E senti necessidade, em determinado momento da minha vida, e também tenho de admitir que em 2013 a minha situação profissional não era a mais estabilizada, estava desempregado, ou seja, tinha alguma disponibilidade. Obviamente que não vim para a Junta de Freguesia à procura de um emprego até porque quem conhece os cargos sabe que dificilmente se vive às custas da gratificação como presidente de Junta. Mas foi com esse espirito de dar à freguesia algo que a freguesia também já me teve oportunidade de dar que foi uma infância feliz com ruas limpas onde brincamos e grandes amizades se fizeram.

Quem nasce na Ribeira Seca está condenado ao sucesso. Foi à procura desse sucesso que se candidatou a presidente da Junta?
Não sei se estou condenado ou não a realidade é que a Ribeira Seca, fruto também da própria dinâmica da freguesia, teve e tem várias pessoas que pela sua capacidade mobilizadora e empreendedora acabaram por ter sucesso. Após 1976 tivemos apenas quatro presidentes de Junta, que estiveram muitos anos à frente dos cargos: João Melo Tavares, o primeiro presidente de Junta, foi vereador da Câmara Municipal da Ribeira Grande e foi durante muitos anos diretor do Centro de Saúde da Ribeira Grande; Manuel Aguiar Luís, o presidente que esteve mais anos à frente da Junta, esteve antes e após 1976, e foi responsável pela construção pela Escola Madre Teresa; Norberto Oliveira Gaudêncio, que esteve oito anos à frente dos destinos da freguesia e é o pai do atual presidente da Câmara da Ribeira Grande, presidente da Associação de Bombeiros Voluntários da Ribeira Grande e marido da ex-vereadora Imaculada Gaudêncio; e Carlos Anselmo, que esteve 12 anos à frente da Junta, responsável pela inauguração desta sede e de variadas obras de relevo na freguesia, assim como os anteriores, claro. Mas temos outros nomes, recordo Nelson Correia, atualmente provedor da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande, assim como de outras tantas pessoas como o senhor José Maria que pertence à Santa Casa e que ao longo dos anos esteve sempre envolvido em causas sociais, a professora Maria Elvira que foi homenageada pelo Presidente da República pelos serviços educativos que prestou… existem imensas pessoas que aqui na freguesia tiveram oportunidade de dar aquilo que foi o melhor de si. Por isso, não sei se terei sucesso, o futuro dirá, a realidade é que estou aqui de forma descomprometida. Com a mesma facilidade e disponibilidade que ingressei, no final do meu mandato que será em 2017, irei fazer um balanço e logo verei se terei condições ou se existe também aqui um projeto que seja motivador e que consiga aglutinar um conjunto de pessoas que me façam ficar, à semelhança deste executivo.

Ribeira-sequense que se preze, tem um passado ligado ao associativismo. Como presidente de Junta, também andou por essas instituições?
Sim. Esse gosto pelo associativismo e pelas causas públicas começaram desde cedo. Com 16/17 anos, ingressei numa lista da Associação de Estudantes na Escola Secundária da Ribeira Grande, na altura como vice-presidente, e, se calhar, foi aí o primeiro envolvimento com um projeto desta natureza. Tivemos lá um ano, cuja presidência foi de um amigo meu, Eduardo Ferreira. Após isto, ingressei na Universidade e aí a disponibilidade acabou por ser menor e acabei por dar mais prioridade aos estudos, mas entretanto, enquanto ainda estava na Universidade já estava na Junta de Freguesia. Depois de sair da Universidade envolvi-me numa força partidária, que foi a força que me apoiou na candidatura à Junta, tive oportunidade também de estar à frente dessa juventude partidária, a JSD, quer a nível de ilha de S. Miguel e, atualmente, como vice-presidente coordenador regional. À parte disto, existe muito envolvimento em vários grupos que não estão constituídos de forma jurídica, mas permitiram fazer muitas atividades não só na freguesia mas também no concelho.

Esteve também ligado ao ressurgimento da equipa de ciclismo aqui na Ribeira Seca.
Exatamente. O Atlético Desportivo de S. Pedro foi um clube que outrora trouxe grandes vitórias e louvores a esta terra, era uma equipa orientada fundamentalmente para o futebol, aliás, na Ribeira Grande existiam quatro ou cinco clubes, o Ideal e o Rabo de Peixe que se mantêm, o Benfica Águia que está a surgir um movimento para o ressurgir, o Atlético Desportivo de S. Pedro e também a Ribeirinha tinha um clube que trouxe glórias a esta cidade. O Atlético Desportivo de S. Pedro, de acordo com os registos e falando com as pessoas mais antigas, fechou portas em 1986, ou seja, teve muitos anos parado, e a realidade é que quando entrei para a Junta percebi que havia um conjunto de pessoas com uma certa nostalgia relativamente a este clube. Aliás, nessas instalações temos cerca de 40 taças ganhas por este clube. Ou seja, houve a necessidade de abrir novamente este clube, obviamente adaptando aos tempos atuais. Atualmente não faria sentido o Atlético Desportivo de S. Pedro abrir o futebol porque é em si uma modalidade que necessita de alguma verba e financiamento e também precisava de alguma disponibilidade por parte dos órgãos associativos para a desenvolver. Então, a solução foi, também por uma certa ligação que havia do atual presidente, Bruno Oliveira, ao ciclismo, abrir com uma equipa de ciclismo que em termos de encargos acaba por não ter muitos, uma vez que as bicicletas são dos próprios atletas. Ou seja, com uma verba muito reduzida, cerca de 2 mil euros, conseguiu-se constituir o clube, com toda a burocracia que envolve, e a restante verba foi para adquirir roupas para os atletas. E esta equipa de ciclismo já tem trazido alguns troféus para a freguesia, estão federados, e temos um atleta filho da Ribeira Seca, Tiago Furna, que tem vencido imensas taças.

Como se compõe o tecido associativo da Ribeira Seca?
A Ribeira Seca acaba por não ter um tecido associativo muito alargado. Temos o Atlético Desportivo de S. Pedro, a Associação Cultural e Recreativa Alvorada de S. Pedro que foi criada pelo anterior executivo com o objetivo de constituir um grupo de folclore, um grupo de castanholas, o que foi alcançado. Temos ainda uma associação para atividades ligadas ao Espírito Santo que adquiriu até uma casa que está em obras para construir a sede e que servirá para as atividades relacionadas com as Festas do Divino Espírito Santo. E, recentemente, apesar de não ter sido uma associação criada para a Ribeira Seca, é uma associação que tem aqui sede que é a ATURG - Associação de Turismo da Ribeira Grande. À parte disto, há outros grupos que não estão constituídos legalmente mas que, de certa forma, têm alguma projeção e dimensão na freguesia. Falo do Grupo Coral de S. Pedro e dos Grupos de Marchas que são quatro, e que são bastante coesos e quando existem atividades extra freguesia, a Junta tem a preocupação de envolver essas entidades, como nas Festas da Flor ou do Espírito Santo.



Casa Mortuária: “Esta é a nossa bandeira eleitoral que vamos continuar a ‘abanar’ até que esteja concluída”

Quando foi eleito presidente da Junta, quais eram os seus objetivos e projetos?
Havia um objetivo desde logo traçado que é um anseio desta freguesia que não está concretizado ainda que é a construção da casa mortuária da Ribeira Seca. Esta é a nossa bandeira eleitoral que vamos continuar a “abanar” até que esteja concluída. Já iniciamos o processo há algum tempo com a aquisição do terreno, atualmente, estamos com os projetos na Câmara Municipal para aprovação e queremos a breve trecho iniciar as obras de construção. Este é o projeto âncora que desde o início nos comprometemos em realizar. À parte disto, temos as obras de saneamento básico da Ribeira Seca na parte sul, que se iniciaram no dia 4 de julho, uma obra orçada em 350 mil euros e que irá decorrer nos próximos nove meses. Este também é um anseio da freguesia porque existem algumas artérias que têm problemas bastante graves do ponto de vista de águas pluviais. Além disso, tínhamos aqui também a necessidade de ampliar o cemitério, um objetivo que não estava tão expresso no nosso programa eleitoral mas que, felizmente, permitiu ainda recentemente haver a expropriação de todo o terreno e a respetiva ampliação que deverá ocorrer nos próximos tempos. Tirando estes três projetos mais complexos, porque envolvem esforços financeiros maiores, temos projetos de menor dimensão, nomeadamente, a renovação dos pavimentos de algumas artérias da freguesia, e neste campo praticamente todas as ruas têm o pavimento em excelentes condições. Continuamos com alguns problemas em caminhos agrícolas, mas temos contatado as entidades competentes tendo em vista a solução desta situação. E, para finalizar, algo que será sempre um problema, que é a ribeira da Ribeira Seca que necessita, pelo menos uma vez por ano, de um desassoreamento, de uma limpeza do leito da ribeira para que não ocorram situações de transbordo da linha de água principalmente em períodos de precipitação intensa. Esta situação tem sido solucionada, de certa forma, pela Direção Regional do Ambiente e pela Câmara Municipal da Ribeira Grande com uma intervenção que se fez no ano passado, já que essas intervenções para uma Junta são muito caras. Com cerca de 10/15 mil euros consegue-se  fazer uma excelente limpeza no leito da ribeira mas, infelizmente, algumas entidades, e durante algum tempo foi assim, não estavam abertas para essa necessidade. Felizmente as coisas agora estão minimamente organizadas.

Em muitas freguesias do concelho, ser presidente de Junta é um luxo porque o apoio do Governo Regional é substancial às iniciativas, o que faz com que o presidente de Junta não esteja sujeito aos apoios municipais.
Sim, a Junta de Freguesia da Ribeira Seca, tanto quanto possível, tem comunicado com o Governo Regional, nomeadamente através das suas secretarias e direções regionais e temos uma atividade e comunicação bastante pró-ativa com algumas delas, como a Direção Regional do Ambiente que tem solucionado algumas das falhas e problemas que identificamos.

E têm protocolos?
Sim, ainda recentemente remeti um protocolo ao abrigo do programa Eco-freguesias que acaba por ser transversal a todas as freguesias, que permitirá uma verba de 3500 euros para receber ao longo do ano. É uma verba pequena, obviamente que não é com esta verba que se solucionam os problemas da limpeza da ribeira e da orla costeira, mas é sempre um apoio bom de ter. Já com a Direção Regional da Habitação, infelizmente nos primeiros tempos não tivemos uma relação de grande pró-atividade, havia muita comunicação da nossa parte para eles que acabava por não ter resposta, mas conseguimos também um protocolo, a rondar os 8500 euros, que foi assinado este ano para a requalificação de uma casa que teve um incêndio na cobertura. Ou seja, estamos a falar de protocolos que são sempre bons e de louvar porque todas as migalhas contam. Não estamos aqui a falar de protocolos de maior dimensão nomeadamente os que temos com a Câmara Municipal que são cerca de 30 mil euros por ano. Mas é com isto que vivemos.

Qual é o peso do Governo Regional e da Câmara Municipal no orçamento da Junta de Freguesia?
O Fundo de Financiamento de Freguesias que é aquilo que é transferido pelo Estado para a Junta de Freguesia da Ribeira Seca ronda os 40 mil euros. À parte disto temos o protocolo com a Câmara Municipal da Ribeira Grande a rondar os 30 mil euros, e depois vamos tentando procurar junto das secretarias e direções regionais o restante, que deve corresponder entre 10 a 20 mil euros. Ou seja, estamos a falar de um orçamento global a rondar os 80/90 mil euros por ano.

Mas há autarquias na Ribeira Grande cuja fonte de receita 75% é do Governo Regional…
Não, estamos muito longe disso. Só esclarecer que falar de 80 ou 90 mil euros pode parecer muito dinheiro mas isto são verbas protocoladas o que significa que a verba é transferida para a Junta com uma determinada finalidade e não pode ser usada noutras coisas.

Quantos colaboradores tem a Junta de Freguesia?
Não temos nenhum. Não temos qualquer colaborador, o nosso quadro é zero. Temos os três membros do executivo, temos um funcionário da Câmara Municipal que está afeto à Junta e os restantes são 11 trabalhadores ao abrigo dos programas do Governo Regional dos Açores.

Então, se a população precisar de resolver algum assunto na hora a Junta de Freguesia não está preparada para isso?
Não, de todo. A Junta de Freguesia da Ribeira Seca tem dois funcionários na parte administrativa que resolvem durante o dia tudo o que é papelada, menos despachar atestados e restante correspondência que isso faço questão de ser eu a assinar. Temos os funcionários das 08h às 17h e depois, dois dias por semana, estou eu e o restante executivo, terças e quintas, das 19h às 22h30, para despachar a restante correspondência. Mas, de facto, se algum dia o Governo Regional retirar ou acabar com esses programas há algumas valências que deixarão de existir. Se recuarmos cinco anos atrás, era isso que tínhamos, um funcionário da Câmara afeto à Junta de Freguesia e um varredor da Câmara Municipal afeto à freguesia que fazia a limpeza de tudo.

Mas esta dependência de uma Junta de Freguesia em relação a estes programas, à boa ou má disposição a que eles sejam celebrados, não fazem quebrar a autonomia do órgão a que preside?
Sem dúvida. Mas esse é o eterno problema do poder local e das Juntas de Freguesia. Não possuímos meios para concretizar nada que tenhamos como objetivo. Se precisamos de construir qualquer coisa estamos à merce da Câmara Municipal ou do Governo Regional para conseguir uma verba para alcançar essa obra. As Juntas de Freguesia acabam por não ter recursos financeiros, humanos e materiais. Estas questões são faladas há muitos anos à ANAFRE mas a pirâmide está montada de forma inversa, ou seja, quanto mais próximos do povo menos capacidade financeira temos. Se calhar, faria sentido a pirâmide estar montada de forma diferente e haver uma maior independência das Juntas de Freguesia em relação quer às Câmaras Municipais quer ao Governo Regional. Mas para isso tem de haver a dignificação não só da Junta de Freguesia mas de todo o seu executivo.

Com estas dificuldades todas, como é que a autarquia pode apoiar socialmente a sua população, nomeadamente a população idosa ou desempregada?
A Junta acaba por ser um intermediário muitas vezes. Mas, infelizmente, nem sempre conseguimos o que queremos. Há muita gente que chega aqui e temos de dizer que não temos solução para o problema deles. Muitas das pessoas que recebo tento reencaminhar para os serviços e depois digo para voltarem cá para fazermos um forcing junto desses mesmos serviços, porque, muitas vezes, eles sozinhos não conseguem. Já tive situações de eu próprio ir com uma pessoa que tinha necessidade de uma habitação à Câmara Municipal da Ribeira Grande e falar com o presidente sobre a necessidade daquele sujeito ter uma habitação. Porque muitas vezes a mensagem não passa.

Então, o presidente da Junta nestas alturas sente-se um representante dos eleitos, ou um simples pedinte?
Não gosto de usar a palavra pedinte mas, muitas vezes, acaba por ter necessidade de procurar parcerias junto dessas entidades, porque sozinho não consegue. A própria lei é muito clara, as Juntas de Freguesia não têm competências do ponto de vista social, para isso existem as Santas Casas e núcleos de assistentes sociais do Governo Regional. E a Junta de Freguesia está muito mais vocacionada para problemas de infraestruturas, como passeios, arruamentos, limpezas. Gostava de ter essas valências mas não tenho recursos para isso.

Mas já lutou por eles?
Já. Faço isso diariamente. Qual é o presidente de Junta que não quer ter capacidade financeira e recursos para dar solução a um conjunto de problemas que nos chegam diariamente?

Mas tem condições ótimas para defender o que quer porque na Câmara Municipal tem alguém ligado à freguesia da Ribeira Seca, assim como nos vereadores da oposição, nomeadamente, Fernando Sousa, Diretor Regional da Agricultura. Aliás, daqui a um ano estaremos a vê-los provavelmente a defender o melhor para a Ribeira Grande. Porque não, avogar desde já que essas coisas boas que vão defender daqui a um ano possam ser concretizadas já?
Se calhar, essas decisões não passam por essas pessoas.

Mas com tantos deputados regionais a viver na Ribeira Grande, a opinar todos os dias na imprensa, não têm peso institucional?
O PSD, atualmente, não tem deputado eleito na Ribeira Grande. O PS tem vários, mas não os vejo no terreno. Nunca recebi, nesta Junta, os deputados do PS. Por acaso, já recebi do PSD que tiveram oportunidade de fazer uma visita institucional e conhecer os problemas. Mas estamos de portas abertas para receber qualquer um dos grupos parlamentares que tenham vontade de vir à Ribeira Seca. Mas não vejo essas pessoas a irem aos locais e falo de forma transversal. Vejo poucos deputados no terreno. Acho que havia necessidade, ainda para mais em ano de eleições regionais, para que esses deputados, que muitas vezes vejo fechados nos próprios gabinetes, irem ao terreno conhecer as reais necessidades. E as Juntas de Freguesia dão aqui um contributo muito interessante e muito proveitoso não só para a construção dos programas eleitorais mas também para a construção de legislação que possa dar resposta a algumas necessidades, que podem vir desta auscultação das diversas freguesias de todas as ilhas dos Açores. Quando me reúno com outros presidentes, vejo que as minhas dificuldades são as mesmas que as deles, há muita coisa transversal às diferentes Juntas de Freguesia que pode e deve ser auscultado.

Estamos a um ano do final do mandato. O que gostaria ainda de ver realizado?
O que falta fazer é concluir os projetos que já foram iniciados. A casa mortuária, queremos que seja uma realidade em meados do próximo ano, que será um edifício de raiz a rondar os 150 mil euros, verba esta transferida pela Câmara Municipal. É uma obra da responsabilidade da Junta mas financiada integralmente pela Câmara Municipal. Em tempos foi solicitado ao Governo Regional uma verba para a construção desta casa mortuária que foi recusado porque, na altura, não havia verba disponível. Da mesma forma, queremos concluir o saneamento básico, uma parte do cemitério também queríamos ver se ficava em andamento, porque concluído não ficará de certeza. E do ponto de vista cultural, obviamente que voltaremos à carga no próximo ano com as festividades de S. Pedro, do Sagrado Coração de Jesus e também um conjunto de iniciativas que, normalmente, a Junta faz no Carnaval, Páscoa e no Dia da Freguesia.

E no campo desportivo, quer um ciclista da Ribeira Seca a vencer a Volta a Portugal…
Era muito bom. Temos uma excelente equipa que tem trazido várias vitórias e isso deixa-me satisfeito.

Que mensagem gostaria de deixar aos cidadãos da Ribeira Grande?
Já em jeito de balanço, dizer que este executivo tem tido uma preocupação de ir ao encontro das necessidades dos munícipes e, nesse sentido, estamos a procurar resolver a situação da casa mortuária porque sei que é este o grande anseio desta freguesia. Sei que existe muito mais a fazer e muitas situações carecem de solução, como um projeto que foi apresentado por mim, enquanto cidadão, ao abrigo do Orçamento Participativo da Câmara Municipal da Ribeira Grande de 2015, que será executado agora em 2016 que é a requalificação do largo de S. Pedro, que rondará os 70 mil euros. São essas “pequenas” obras, esses pequenos avanços, que temos conseguido dar e é importante que a Ribeira Seca continue a identificar as necessidades e nós, enquanto executivo, estamos de portas abertas para receber essas situações e queremos, dentro do possível, ir ao encontro do que é possível resolver.

 

Acabou de ocorrer um evento talvez um dos mais importantes da Ribeira Grande, as Cavalhadas de S. Pedro, e nas redes sociais um membro da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores criticou asperamente o desassossego que os ensaios das marchas provocam na população, sugerindo que a Câmara Municipal disponibilizasse autocarros para os levar para ensaiar noutro local. Qual a sua posição sobre este assunto?
Não conheço a situação em particular. Mas acho que deve reinar sempre o bom senso de ambas as partes. Não só das marchas ou de quem as dirige mas também da população em geral. Obviamente, se formos ter uma atitude muito dura, ríspida, nessas tradições isso tudo vai acabar por desaparecer. Por exemplo, em relação às Cavalhadas, há críticas por causa do uso dos animais, da mesma forma que na Terceira existem os touros e um conjunto de população não concorda com a atividade. O barulho das marchas pode ser incomodativo, mas se tivermos uma atitude reativa com essas tradições, tudo isso acaba. Obviamente que cada situação deve ser analisada e é necessário verificar se está realmente a ser prejudicial e caso esteja então tentar arranjar uma solução.

O que representa para a freguesia da Ribeira Seca o evento relacionado com o S. Pedro?
S. Pedro é o nosso padroeiro, está conotado do ponto de vista religioso como o santo que tem as chaves do céu. Aliás, no nosso brasão existe mesmo as chaves, aliás, não deixa de ser interessante que, vindo da capital, somos a primeira freguesia de quem entra na cidade da Ribeira Grande, ou seja, acabamos por ser a freguesia que dá as boas vindas, que abre a porta. E esta é uma festividade com grande tradição e importância, são as festas mais representativas da freguesia e do concelho, não é à sorte que o feriado municipal calha nas festas de S. Pedro. Isto já denota o simbolismo desta tradição e a beleza de um evento desta natureza. Do ponto de vista económico também acaba por nos trazer muitas pessoas à freguesia, não só para conhecer as festividades mas também as nossas tradições. Atualmente, com a liberalização do espaço aéreo há um número muito grande de turistas que nos visitam não só para conhecer a ilha mas também a nossa praia de Santa Bárbara, com grandes valências do ponto de vista náutico como surf, bodyboard e outras práticas relacionadas com desportos do mar que tem trazido muitas pessoas à Ribeira Seca e isto faz com que a Ribeira Seca seja, atualmente, um marco na cidade da Ribeira Grande.

Nunca pensou em pedir um protocolo para que possa ter verbas suficientes para aumentar a qualidade do que oferece, bem como a divulgação e impacto das iniciativas?
Isso insere-se num projeto apresentado recentemente pela Câmara da Ribeira Grande, o Plano de Turismo, onde está identificado um conjunto de valências por freguesia que precisam de ser desenvolvidas. Neste momento está a ser trabalhado pela autarquia e a ideia é montar um guião, um conjunto de iniciativas.

Mas é notória uma visível desvalorização por parte do Governo Regional relativamente às festas de S. Pedro, nomeadamente, a ausência, em termos oficiais, de representantes do Governo Regional durante as festividades. Está zangado com o Governo Regional?
De todo. Aliás, o presidente do Governo Regional fez-se representar pelo Diretor Regional da Agricultura que é vereador também na Câmara Municipal da Ribeira Grande, na sessão solene das festas de S. Pedro. Há necessidade de separar o que é religioso do que é político. E esses convites são endereçados pela comissão fabriqueira, que organiza anualmente as festas de S. Pedro. Tenho conhecimento que o presidente do Governo Regional foi convidado à semelhança de todos os anos. De facto, nos últimos quatro anos, o presidente não esteve nunca presente nas festas, já o anterior presidente Carlos César esteve. Mas também acredito que o presidente do Governo Regional não tem disponibilidade para estar em todas as festividades, ou isto é má organização por parte de quem convida ou é falta de disponibilidade por parte de quem recebe o convite.

E os seus convites, têm sido bem recebidos por parte do Governo Regional?
Nas festas de S. Pedro, endereçamos dois convites: o convite para as marchas e o convite para ver as cavalhadas de S. Pedro. Esses convites são endereçados única e exclusivamente às entidades do concelho, nomeadamente, deputados municipais, deputados da Assembleia de Freguesia, deputados em exercício e executivo da Câmara Municipal. E depois, todas as forças vivas. Ou seja, neste âmbito, essas entidades não têm aparecido na Junta de Freguesia.

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