Menezes tece duras críticas ao Ministro da Saúde

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O presidente da Câmara Municipal de Gaia não poupou críticas, na passada quinta-feira, ao ministro da Saúde, Paulo Macedo, numa conferência de imprensa unicamente para discutir o ponto de situação da saúde no Norte. Em causa está “a falta de vontade e criatividade” do Ministério em concluir o Centro Materno Infantil do Norte e o Centro de Reabilitação de Valadares. “Os agentes políticos do Norte, os seus cidadãos e os diversos grupos profissionais envolvidos, têm razões de sobra para se sentirem diminuídos e injustiçados”, referiu Menezes.

Numa conferência de imprensa marcada em cima da hora, na passada quinta-feira, o presidente da Câmara Municipal de Gaia teceu duras críticas a Paulo Macedo, ministro da Saúde, por este ter feito, numa visita no dia anterior, “afirmações que fazem com que a visão do Estado em relação ao Porto e ao Norte apareça distorcida e quase persecutória”.

“O senhor ministro colocou em causa as razões e os estudos que justificam a construção do Centro Materno Infantil do Norte e, de forma mais radical, o do Centro de Reabilitação de Valadares. O senhor ministro, talvez por má informação, não foi exato. Estes equipamentos visam um tratamento equitativamente justo de todos os cidadãos, independentemente da área do país onde trabalham ou residem”, afirmou Luís Filipe Menezes.

O presidente acrescentou que o Centro de Reabilitação já está pronto a utilizar enquanto o outro equipamento “só não está pronto porque os instrumentos dilatórios seguidos para o paralisar têm sido permanentes”, e acusa o Ministério de “falta de vontade e de criatividade”, bem como de “um péssimo ato de gestão”.

“Estão já investidas largas dezenas de milhões de euros que não podem ser desbaratados de ânimo leve”, refere Menezes dando como dualidade de critérios o facto de o Ministério da Saúde ter “pré anunciado a intenção de avançar com mais um gigantesco hospital na zona oriental de Lisboa”, depois de ter afirmado que não iria avançar com mais parcerias público privadas. “Tal opção seria um grave erro de gestão e uma afronta ao país real”.

“Os agentes políticos do Norte, os seus cidadãos e os diversos grupos profissionais envolvidos, têm razões de sobra para se sentirem diminuídos e injustiçados. Os impostos vultuosíssimos que se pagam a Norte têm que ter o mesmo significado do que os que se pagam a Sul. Devem ser geridos com a mesma parcimónia”, acrescentou.

 

“A situação presente da unidade de Valadares é intolerável”
Referindo-se especificamente ao Centro de Reabilitação de Valadares, em Gaia, Luís Filipe Menezes não deixou de lembrar que a obra se está a degradar apesar de “existir financiamento comunitário para o seu total apetrechamento. “A situação presente é intolerável. Existem estudos que conjugando a gestão partilhada de cuidados de curto com cuidados de média e longa duração, podem suportar a sua imediata abertura, sem acréscimos de custos. É lastimável que alertado há mais de um ano pelo município, o Ministério não tenha feito o mínimo de trabalho de casa que apontasse para uma solução digna e útil”.
Além do Centro, Menezes não deixou, igualmente, de lembrar que o “micro plano, realista e responsável de recuperação do Centro Hospitalar de Gaia, não saiu da linha de partida” e deixou uma proposta ao ministro.

“Envolva os municípios da região na busca de uma solução destes problemas. Saberemos, em parceria com o Estado, encontrar as instituições públicas e privadas com quem possamos gerir estes projetos com resultados positivos. Ou seja, saberemos fazer o trabalho de casa que, por desinteresse e laxismo, não foi feito no último ano e meio pela administração central”, concluiu.