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A mudança na política de gestão: de Luís Filipe Menezes a Eduardo Vítor Rodrigues

A liberdade de expressão sem constrangimentos foi uma conquista adquirida, o melhor que poderia ter acontecido a um povo que durante cinquenta anos se privou da mesma, vivendo em repressão com as sanções das quais sempre esteve cativo: o lápis azul, o vizinho que denunciava o outro a troco de uns cobres (os “bufos”), as emissões de rádio proibidas (enquanto um dos poucos mecanismos de resistência ao regime), a polícia sempre “à perna”, aterrorizando quem não se associava às ideologias vigentes e alimentava convicções contrárias.

 

Mas será que adquirimos efetivamente essa liberdade de expressão? A dita liberdade será verdadeira ou dissimulada? O velho provérbio “se não és por mim, és contra mim” ainda se fará sentir nos dias de hoje? A meu ver, é urgente e necessário crescer intelectualmente para gozar verdadeiramente dessa liberdade, pensando cautelosamente nela e nunca esquecendo que, com frequência, a nossa liberdade pode acabar quando começa a do outro…

Sobre os protagonistas deste artigo, começo por questionar a política aplicada do atual presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues. Desde o início do seu mandato tem feito passar a mensagem da avultada dívida da Câmara, com valores que vão dependendo dos dias e que variam consoante o humor das fontes que a anunciam. Tal parece baralhar (e baralha, certamente!) a cabeça dos gaienses, deixando, no mínimo, algum desconforto a quem tem acompanhado de perto a evolução da autarquia. Analisando algumas das últimas novidades, chegou a público a informação de que a Câmara deveria 500 milhões de euros, depois 400, mais tarde 300, assustando-se os habitantes do município que este estaria em falência.

Na verdade, ao que parece, outras fontes informam que financeiramente a Câmara é governável e sustentável. A dívida é de 196 milhões de euros, repartida entre dívida a curto prazo de 30 milhões de euros (a fornecedores) e dívida a médio e longo prazo de 166 milhões de euros (à Banca). Contas feitas – que curiosamente até apresentam uma redução de 19 milhões de euros relativamente ao valor total da dívida em 2012 – o que estará por trás desta necessidade desenfreada de denegrir o anterior executivo com um ciclo político de 16 anos, eleito meritoriamente quatro vezes pela maioria dos gaienses, encabeçado por Luís Filipe Menezes? Embora os gaienses tivessem à partida grande resistência em entregar o seu líder à cidade do outro lado da margem, provavelmente hoje entendem que Menezes, com a sua atitude deliberada em conquistar o Porto, pretendia trazer muito mais benefícios para Gaia.

Sabendo que não poderia continuar a gerir a autarquia, pela lei de limitação de mandatos, certamente não iria esquecer os 16 anos de proximidade com a população do município, com quem inicialmente partilhou a tristeza de lhe ter caído nas mãos uma Gaia rural (para não dizer quase de terceiro mundo!), passando pela partilha de grandes alegrias quando a pouco e pouco conseguiu transformar Gaia numa cidade que é hoje apontada como um grande exemplo a seguir no País e na Europa: o seu crescimento, progresso e evolução são prova notória e verosímil de uma grande mudança! É caso para dizer que, mesmo os que pareceriam mais ofendidos por este suposto abandono, dirão hoje “volta porque estás perdoado”!

Fazendo este regresso nostálgico ao passado, quem não se lembra quando Gaia estava parada como que se vivêssemos na época medieval? Gaia era conhecida como o dormitório do Porto, tal como nos tempos dos senhores feudais que tinham os seus bons negócios no Porto e viam Gaia como um espaço para construir uma casa-quinta de recreio, onde disfrutariam da ruralidade. Hoje temos uma cidade muito diferente, desde que Luís Filipe Menezes chegou e lhe alterou o rumo. Ninguém poderá esquecer que há 20 anos era no Porto que os gaienses compravam tudo, porque em Gaia não existia rigorosamente nada! Menezes modernizou, fez crescer o comércio, desenvolveu redes viárias, infraestruturas propícias ao turismo, praias de excelência mundial e, o mais significativo do ponto de vista humanitário, as habitações sociais.

Ainda se recordam da dívida de 196 milhões de euros com a qual o atual autarca embandeira a sua indignação? Será pois importante comunicar, a título de exemplo, que 30% desta dívida foi mobilizada para a construção de mais de 4000 habitações sociais destinadas às famílias gaienses que antes viviam em condições sub-humanas. Mais ainda, não se entende que membros do atual executivo a desempenhar funções de vereadores no anterior não tivessem conhecimento destes factos, tendo feito inclusivamente parte do seu desenvolvimento. Porquê falar agora e de forma tão difamatória? Prevalecerá o prazer do escárnio e mal dizer ou tentar-se-ão encontrar desculpas para mascarar as atuais e normativas dificuldades de gestão?

Desde a tomada de posse do atual executivo foi constante o ruído de fundo assustador espalhado por Vila Nova de Gaia. No entanto, para além de inútil do ponto de vista da gestão estratégia da autarquia que comporta a responsabilidade por cerca de 300 mil
habitantes, assume um papel meramente de artifício que preocupa indevidamente os gaienses, na tentativa de justificar adversidades atualmente comuns a todo território nacional. Quando se é eleito para um cargo desta grandeza – que não é propriamente de dimensão doméstica – deve reconhecer-se que será para o bom e para o mau. Se temos capacidades e queremos ser heróis, tomando o leme de uma grande nau, ótimo! Mas se a meio da travessia se dá conta que é difícil, ou entregamos a nau a outro navegador com uma tripulação competente, ou o fim será, seguramente, trágico: corremos o risco de naufragar! Ainda assim, para os mais aventureiros e inconsequentes, existe sempre o benefício de justificar, em sua defesa, que a culpa não foi do comandante, o barco é que começou a meter água…

Numa recente entrevista diz o atual presidente Eduardo Vítor Rodrigues: “ (…) é diferente quando tomamos uma instituição que parte do zero ou até com algum dinheiro na conta, de quando tomamos uma instituição que parte desta situação”. Da minha parte, gostaria de acrescentar que herói é aquele que transforma uma empresa falida e sem património num verdadeiro império! E o caso da nossa Câmara não será assim tão difícil, pois não encaixa nem no critério de falida nem escasseia em património.

A “suspeita” dívida, como dizem, é afinal sustentável e, quanto a património, terá o mais importante: um vasto e riquíssimo património imaterial com uma identidade própria e extraordinária que pertence e é personificada pelo povo gaiense. Se a badalada divida segundo Eduardo Vítor Rodrigues na mesma entrevista “não é o fim do mundo”, é aqui que a atual gestão poderá conquistar a sua glória. Estas sim são as palavras desejadas e será esta a atitude a protagonizar pelo executivo da nossa Câmara e o discurso que os habitantes querem ouvir! Para reunir o apoio dos munícipes será necessário um compromisso sério com ações concretas, sem esquecer o legado nobre da gestão liderada por Luís Filipe Menezes. Há que enaltecer o que está feito e o que entretanto mais se vier a conseguir para que daqui a três anos, no final do atual mandato, honras sejam prestadas a quem esteja envolvido nestas conquistas, porque afinal é do bem-estar de todos os gaienses que se trata.