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Afinal como foi, e é, possível?

Diziam por aí que a JPSá Couto e o seu vice-presidente, João Paulo Sá Couto, tinham sérios pro-blemas com um processo de investigação.
Fomos lendo notícias, durante anos, sobre esta questão. Umas vezes sobre escutas, outras sobre buscas. O julgamento na praça pública foi sendo realizado às pinguinhas. Nunca deram, sobre esta matéria, uma palavra. Não tinham alternativa. É assim que isto funciona. Entendi muito bem a estratégia do silêncio como sendo a única forma eficaz num sistema que alimenta e por vezes promove "julgamentos populares".

 


Agora acabamos por ler, em vários jornais de dimensão nacional, que o "MP iliba JP Sá Couto e o seu vice-presidente depois de os acusar durante 12 anos de "esquema de associação criminosa e fraude fiscal, por carrossel do IVA". Depois de todo este processo, em sede de julgamento a pró-pria procuradora da República pede a absolvição da JPSá Couto e de João Paulo Sá Couto por considerar que afinal "não tinham conhecimento e não tiveram participação" nos crimes que os foram queimando, em lume brando, durante mais de uma década.
Esta intervenção, da procuradora, "caiu como uma bomba" na sala de audiências. Há dez anos que a JP Sá Couto, fabricante dos computadores Magalhães, estava como arguido com acusação do MP que agora concluiu que  "tudo foi ficção" e a acusação não tem sustentabilidade.


Ficam para trás anos de investigação, acusações e julgamentos na praça pública, com escutas, buscas e peritagens que culminaram na acusação de uma suposta fraude ao Estado de valor su-perior a cinco milhões de euros.


Claro que a Advogada, dos "suspeitos", ficou satisfeita mas destacou a "amargura" de 12 anos de um processo. Afirmou ainda "os meus constituintes foram acusados, inclusive, de associação cri-minosa", salientando a "falta de prurido" do MP ao entrar neste tipo de acusações sem a necessá-ria fundamentação. A investigação foi, segundo relatos públicos, arrasada pela advogada ao lem-brar a forma como algumas provas foram conseguidas.


Qualquer cidadão, mais atento, fica perplexo ao ler e constatar esta realidade e tem de questionar como é possível num País de Estado de Direito manter cidadãos nesta pressão durante doze anos e a serem julgados sistematicamente na praça pública muitas vezes com as fugas de informação a alimentarem as notícias que sustentam esses julgamentos populistas.


Quantas diligências, quantos anos, meses, semanas, dias e horas, estes cidadãos tiveram de gastar para se defenderem desta situação? Qual o prejuízo que sofreram durante mais de uma década de, segundo parece óbvio, acusações injustificadas e sem qualquer fundamento?
É neste quadro que se começa a perceber as acusações, que se vão fazendo com os inevitáveis  julgamentos, também na praça pública, com investigações, escutas, buscas e as "normais" fugas de informação, muitas vezes, sustentados em puras ficções.


Só agora entendo porque se faz de conta que se não fizeram obras onde, foi público e notório, foram feitas e pagas a quem as realizou e estão à vista de toda a gente.


A razão é simples: tentar alimentar acusações de fraude e desvio de dinheiro para os julgamentos na praça pública. O método é o mesmo que serviu para o que está a acontecer com a JPSá Cou-to.
Percebo a paciência e os "nervos de aço" desta empresa e dos empresários.


Percebo mas considero inaceitável e incompreensível.
Fica o registo para memória futura.
Valha-nos Deus!...