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As nossas dependências

O mais Alto Magistrado da Nação tem sugerido várias vezes a necessidade de nos virarmos para o mar, de importarmos menos produtos agrícolas e de relançarmos a nossa indústria, certamente já esquecido que foi exatamente no seu mandato como Primeiro-ministro que estas importantíssimas vertentes da economia foram pura e simplesmente desmembradas a troco de alguns «cobres» rapidamente desaparecidos em corruptas voragens. 

 

A frota pesqueira foi desmantelada e os pescadores ou ficaram desempregados ou ainda continuam teimosamente a luta por melhores dias, a indústria, salvo raras e honrosas exceções, quase deixou de existir e a situação dos Estaleiros de Viana do Castelo demonstra claramente ao ponto a que chegou a prestação governamental nesta importante área estratégica do nosso País, a agricultura mostra, sem margem para dúvidas, o alto grau da nossa dependência externa numa altura de crise aguda em que poderíamos ser auto suficientes nesta área, mas importamos noventa por cento do que consumimos.

No caso da agricultura, foram anos de políticas proporcionando o abandono das terras e o incentivo à não produtividade, preços altíssimos dos fatores de produção e falta de apoio ao escoamento dos produtos, assim como descontrolo na comercialização e total submissão às ordens e interesses da União Europeia, tudo isto tendo como princípio básico a liquidação da Reforma Agrária levada a cabo essencialmente no mandato do ministro, expoente máximo do pensamento maoista, de seu nome Barreto que conseguiu a benemerência dos elencos governativos ditos socialistas e dos que lhes seguiram e «melhoraram» as pisadas, atentos, veneradores e obrigados.

Agora, a culminar o resultado destas nefastas políticas para as quais sempre se levantaram as vozes avisadas da esquerda consequente, face ao mais que provável aumento do preço do pão, alimento essencial e o mais procurado pelo população, a inefável Ministra da Agricultura, de formação cristã, displicentemente diz-nos que «a situação é naturalmente muito difícil, não depende apenas de nós, a agricultura tem estes aspetos específicos, está dependente do clima e quando falamos em preços dos cereais estamos a falar de preços do mercado mundial, das produções em várias partes do globo e neste momento estão a ser vistos esses cenários», ou seja, aos costumes disse nada e nada adiantou sobre medidas do ministério ou do governo para que os portugueses não sofram com mais uma medida anti-social a juntar às muitas outras que são, isso sim, o pão nosso de cada dia e a que urge pôr termo, porque já estamos a atingir o ponto de saturação.

Como não é possível solicitar ao ex-ministro Paulinho das feiras para ajudar na sua tão acarinhada lavoura de conversa, pois ele encontra-se de férias a pensar onde colocou os documentos da compra dos submarinos, nem tão pouco é possível ao ministro da economia substituir os pasteis de nata por moletes e por que do PSD também não surge qualquer ideia brilhante, aos portugueses resta-lhes continuar a luta por outras políticas e por um outro governo patriótico e de esquerda, pois este já disse ao que veio e já mostrou quais os interesses que defende, donde resultam mais desemprego, mais injustiças, mais dificuldades e afundamento do País, mercê duma matriz neo liberal donde emergiu um dos piores males, o entendimento entre as chamadas troikas, uma de cá com «boas provas dadas» pelo caminho a que o País chegou e outra de lá a levar a Europa connosco para situações que ainda desconhecemos na totalidade, mas que, pelo andar da carruagem, não auguram nada de bom para os respetivos povos.