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“Quem prova dificilmente resiste à qualidade que têm os nossos produtos regionais”

Foi nas instalações da Salsicharia Ideal que o AUDIÊNCIA esteve à conversa com Ana Afonso, gestora executiva, que acredita que a empresa pode e vai crescer muito mais no futuro. Apostando no tradicional e na qualidade dos produtos, a Salsicharia Ideal tem como principais projetos para 2017 a ampliação das instalações para potenciar a exportação e, quem sabe, a abertura de um espaço para os clientes experimentarem o produto.



Como veio parar aqui?
Vim para um desafio de trabalho, de luta e de acreditar que quando os produtos são bons, podemos fazer mais e melhor. Vim trabalhar com a expetativa de poder organizar uma empresa que já era organizada por si só, mas que necessitava de uma organização interna a nível de gestão, de recursos, da parte de funcionários, fornecedores, clientes, e toda a logística interna. A minha área era a construção, e vim para uma empresa do ramo de salsichas e carnes que não me era nada familiar. Mas com esforço e dedicação tudo se consegue. Comecei a acreditar que, com trabalho coletivo, podíamos desempenhar as melhores funções empresariais no que diz respeito ao atendimento aos clientes, satisfazer encomendas da melhor forma servindo sempre com todo o cuidado e mais algum para que não faltasse nada, e, gradualmente, fomos crescendo de uma forma saudável e dedicada. Até porque um dos meus maiores lemas a nível interno é que nos devemos dedicar-nos ao cliente de forma a que ele volte, pela simpatia e pelo serviço. Como não percebia nada do setor das carnes a minha primeira preocupação foi ir para a produção, onde aprendi como se trabalha e como se deve trabalhar as salsichas, chouriços, morcelas, as carnes, ou seja, tentei perceber toda a logística interna para, posteriormente, poder organizar num gabinete toda a parte de contabilidade e gestão. Já me encontro na unidade há oito anos, desempenho a gestão executiva da empresa, com uns patrões fantásticos, que lidaram sempre de uma forma muito familiar e próxima, o que nos facilita bastante o bem querer e o bem estar da unidade.

Encontramos aqui uma dupla prestação de serviços. O serviço por grosso, e o serviço a retalho. Qual o peso que tem na estrutura da empresa cada um deles?
Exato. A Salsicharia Ideal, na parte da transformação e desmancha de carnes, tem um peso muito elevado tendo em conta que fornece todos os outros sete talhos. Por sua vez, os talhos têm um peso superior já que personalizam todo o atendimento. O nosso talho é sempre feito para o nosso tipo de cliente, todas as nossas carnes são desmanchadas e trabalhadas da forma que o cliente pede. Temos o talho rural na Maia, em Rabo de Peixe ou em Ponta Garça, e todos os clientes são diferentes. Uma peça de carne que possa ser muito bem vendida na Matriz da Ribeira Grande, na Maia já não é tão apreciada, e vice-versa. Então, como temos uma série de carnes que têm de ser personalizadas mediante os nossos clientes, sem dúvida que a faturação significativa passa pelos nossos talhos.

Mas a vossa aposta também extravasa os talhos. Alguns locais de referência têm os talhos Ideal, como as grandes superfícies.
Sim. A Salsicharia Ideal é responsável pela venda a retalho para lojas, supermercados, que estão constantemente a pedir, tendo em conta que o nosso produto é muito tradicional. A Salsicharia luta, e bem, pela qualidade do tradicional, os chouriços são cortados à mão, a pimenta é produzida cá na terra, todos os temperos são cuidadosamente mantidos como a tradição, e esse trabalho já se reflete no exterior. Por isso é que em 2017, se tudo correr bem, a nossa unidade vai ser ampliada de forma a podermos embalar o produto e aumentar a sua durabilidade, para trabalharmos o mercado da saudade. Tudo indica que, no futuro, teremos a exportação como porta aberta e muito significativa para a nossa unidade porque, efetivamente, são produtos de muita qualidade ao nível da tradição dos sabores e paladares regionais.

Nos enchidos estamos a falar de carne suína. S. Miguel é propício ao desenvolvimento desta indústria? Existe muita carne de suíno disponível?
Sim. O nosso maior e único fornecedor é a Agraçor, e todos os anos temos o cuidado de ter uma reunião de forma a fazer uma previsão de quantidades anuais, para depois não chegarmos ao final de cada ano e não haver animais para abate. É um trabalho a longo prazo, para que não nos falte carne. E, felizmente não, pelo contrário, tem havido uma assiduidade bastante significativa a nível de carnes regionais e não temos tido esse problema. A nível de bovinos o trabalho também tem de ser feito de uma forma, às vezes, um bocadinho mais aflitiva, porque os Açores lutam muito pelo leite e, às vezes, é difícil encontrar um mercado de carne, porque um animal de leite não é um animal de carne. É um trabalho que já fazemos há algum tempo com animais que vêm do Faial e do Pico, que são animais de engorda, enquanto em S. Miguel a maioria é o leite. As vacas de leite são utilizadas para hambúrgueres, almôndegas, ou seja, transformados de carne e não para peças nobre. Também temos tido, no último ano, um trabalho que tem sido interessante que é ter aumentado os animais de engorda em S. Miguel. Tendo em conta as dificuldades das cotas leiteiras, os produtores têm-se direcionado um pouco mais para a carne o que tem sido ótimo para nós. Não tem havido rutura de mercadoria, como há quatro anos a esta parte, quando S. Miguel não tinha carne. Chegávamos a meio do ano e era muito difícil encontrar animais com uma boa rentabilidade de carne e tínhamos de ir buscar, ao Pico ou ao Faial, mas para nós também era uma mais valia porque trabalhávamos com todos, o que não era desinteressante.

Com a liberalização do espaço aéreo houve algum reflexo na produção dos talhos e Salsicharia Ideal?
Pode haver uma pequena diferença de vendas para o mercado. O que se nota, efetivamente, é um aumento ao nível de restauração. As encomendas aumentaram muito significativamente a nível interno, a restauração tem vindo a trabalhar muito o bife dos Açores, a carne dos Açores. A nível regional, das outras ilhas, também sinto que têm vindo até nós muitos do grupo central porque valorizam os nossos enchidos, as nossas morcelas, os nossos transformantes como uma mais valia do tradicional, o que tem sido muito bom.

Já falou que em 2017 irá, provavelmente, acontecer a internacionalização dos produtos da Salsicharia Ideal, e aqui também vai haver remodelações. Mas, para já, vamos ter um novo rosto à entrada do espaço, não é verdade?
É verdade. O novo rosto surge aqui na nossa vizinha escola que está para abrir em setembro e tem-nos prejudicado um bocadinho, foi uma luta pelas acessibilidades ao talho, mas nada que não se consiga com algum carinho de vizinhos. Mas sim, vão abrir aqui um parque de estacionamento que acreditamos que pode ser uma mais valia para nós. A acessibilidade à escola potencia uma vinda aqui, vamos ver se assim será. É sempre bom a cidade crescer, o desenvolvimento aqui na nossa Ribeira Grande para nós é sempre bem vindo.

Com estas condições que vão ser criadas nesta zona, atendendo a que este espaço já tem pão quente, não esta tentada a fazer sentar as pessoas à mesa aqui?
Não é nada que não se pondere, mas essas são decisões tomadas pelos donos. Mas faria muito sentido até porque as pessoas vêm cá buscar o pão e o pé de torresmo que tem sido um ex-libris na nossa Salsicharia, é o mais vendido a nível regional. Quem sabe um dia…

Estando situada no concelho da Ribeira Grande, que aposta de forma acentuada nos grandes eventos, como gestora desta empresa, o que gostaria que acontecesse na Ribeira Grande?
Que crescêssemos de uma forma saudável, que não crescêssemos só pela abundância ou pelo querer crescer, mas que crescêssemos de uma forma saudável, equilibrando todas as economias, não destruindo em nada o mercado da saudade, o pequeno comércio que para mim é uma mais valia. São os pequenos comerciantes que conseguem manter a tradição e acho que mantendo um pouco de uma forma tradicional para mim faz muito sentido.

A Salsicharia Ideal tem aparecido ultimamente ligada a alguns eventos. Essa é uma aposta também?
Sempre foi, porque sou apologista que não há maior divulgação que a degustação. Não são as fotografias que dizem que o produto é bom, mas quem prova e saboreia é que mais tarde pode vir, porque gostou de provar. Então, a nossa aposta passou sempre muito por feiras, a nível regional, e como gestora da unidade sempre apostei muito nas feiras em Lisboa, no Porto, e até fora. Porque quem prova dificilmente resiste a tão boa qualidade que têm os nossos produtos regionais.

Então mais se justifica a abertura de espaço onde se possa provar…
Sim. Às vezes fazemos aqui umas brincadeiras que funcionam muito bem, de degustações, mas também temos uma grande referência que é o nosso restaurante, porque o Restaurante Caldeiras da Ribeira Grande é dos donos da unidade e, normalmente, as pessoas que lá vão provar o produto gostam e depois vêm cá. Internamente também fazemos degustações, normalmente ao sábado de manhã, damos a provar os chourições, morcelas, hambúrgueres, almondegas… Porque a maioria dos clientes conhece-nos pelos enchidos e depois apercebem-se que afinal não são só enchidos, são as carnes e todo o resto de transformação de carnes e todo o trabalho que é feito a nível interno. E, felizmente, tem sido uma aposta muito boa aqui o nosso talho porque as pessoas gostam, o feedback geral é que gostam do nosso corte, da nossa apresentação, e dos nossos funcionários que são uma referência para nós.

O que espera para o futuro?
Quero acreditar que a Salsicharia Ideal vai crescer e muito com o apoio dos nossos 63 funcionários. Todos eles desempenham funções de muita responsabilidade com muito carinho. Não me posso queixar de ninguém, todos trabalham acreditando que a salsicharia é uma mais valia para quem nos visita e para quem atendemos.

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