Carmim Alves do Cabo: “Guifões é a capital do basquete”

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Fazendo jus à modalidade que “tem raízes de mais de 80 anos na freguesia”, a Junta de Freguesia de Guifões, em conjunto com o Guifões Sport Clube, organizou no verão passado três eventos de basquetebol, que mobilizaram milhares de pessoas. Em entrevista ao AUDIÊNCIA, o presidente da Junta de Freguesia, Carmim Alves do Cabo, não tem dúvidas que “Guifões é, de facto, a capital do basquete” e enaltece a dinâmica do clube, que movimenta cerca de 300 atletas. “O Guifões Sport Clube é, já desde há uns anos a esta parte, uma das grandes referências da formação a nível nacional, não só pela quantidade de miúdos que todos os dias acolhe nas suas instalações, mas também em função dos resultados que vai atingindo”, sublinha o autarca.

 

Como vê a atividade do Guifões Sport Clube nos últimos anos, sobretudo ao nível da formação?

É uma atividade absolutamente ímpar. E quando digo isto não digo ao nível da freguesia nem do concelho, digo ao nível do distrito e a nível nacional, porque o Guifões Sport Clube é, já desde há uns anos a esta parte, uma das grandes referências da formação a nível nacional, não só pela quantidade de miúdos que todos os dias acolhe nas suas instalações, mas também em função dos resultados que vai atingindo. Não há prova final – final 4 ou final 6 ou final 8 - de formação, quer a nível regional quer local, que o Guifões não participe e, nalgumas até, saia vencedor, tendo vários atletas integrados nos escalões de formação da Federação Portuguesa de Basquetebol.

E já esteve na 1ª Divisão Nacional…

Sim, o Guifões esteve de facto na 1ª Divisão há cerca de duas décadas. Apesar de ter sido uma época brilhante em termos de resultados, em termos financeiros e logísticos e extradesportivos não foi tão boa assim, porque foi uma aventura que foi dada com uma passada maior que a perna. E ainda hoje se estarão a pagar alguns erros dessa aventura.

Então hoje a subida não será um objetivo…

Não, só se houver, através da formação, a possibilidade de se irem fixando os bons atletas formados e surja uma equipa pronta a disputar a Liga. O Guifões encontra-se na Pró-Liga, está num escalão muito bom de competição, o segundo a nível nacional, tem feito boa figura e tem tido resultados muito bons. Neste momento, o clube, em termos desportivos, está a colher frutos da sua formação e do seu investimento nos jovens de Guifões. Não me parece que haja intenção dos atuais dirigentes de se meterem em aventuras que deram mau resultado.

A Junta de Freguesia de Guifões tem tentado promover a modalidade através de algumas iniciativas, como foi o caso do “Street Basket”. Como é que correram?

Esta iniciativa que a Junta tomou no verão passado mais não é do que o reconhecimento de uma modalidade e de uma prática desportiva que tem raízes de mais de 80 anos nesta freguesia e que tem resultados a nível nacional comprovados: o Guifões já esteve na 1ª Divisão, já disputou a Taça Nacional, tem vários títulos conquistados na 2ª Divisão Nacional, quer em masculinos quer em femininos, portanto é uma tradição da terra, da região e a freguesia de Guifões não podia alhear-se desse facto e não pode alhear-se, sobretudo, do facto de haver 300 praticantes da modalidade no Guifões Sport Clube. Daí que essa obrigação que a Junta sentia transformou-a, em conjunto com o Guifões Sport Clube, naquilo a que chamamos “Guifões, a capital do basquete”, porque, de facto, Guifões é a capital do basquete. E este facto está a trazer não só o basquete para Guifões como também para Matosinhos, porque o facto de a modalidade ser tão popular em Guifões e no concelho fez com que, durante muitos anos, o FC Porto praticasse o mais alto nível de basquetebol no Pavilhão Municipal de Matosinhos, e fez com que a Associação de Basquetebol do Porto tenha elegido quer a Junta de Freguesia de Guifões quer o Guifões Sport Clube como seus parceiros em muitas das suas iniciativas mais visíveis. Portanto o que a Junta fez não foi mais do que interpretar nesse sentido e proporcionar três eventos, que foram extremamente participados, movimentando, entre atletas e assistentes, milhares de pessoas durante três fins de semana. Foi o Torneio Vila de Guifões para seniores, o Torneio Ibérico para escalões jovens e o “Street Basket”, onde tivemos cerca de mil pessoas num fim de semana. Foram três iniciativas que foram lançadas e que esperemos que ganhem raízes, porque o basquetebol tem raízes em Guifões.

Em termos de infraestruturas, o clube está bem servido?

O Guifões começou por jogar neste espaço [Junta de Freguesia]. Entretanto, a legislação evoluiu, obrigação que o basquete fosse jogado em espaços cobertos e este sítio deixou de ter condições. Surgiu o pavilhão do Guifões Sport Clube na década de 70, que foi sofrendo diversas obras de melhoramento e hoje tem boas instalações, estão bem conservadas, tem um uso a 100 por cento e, mesmo assim, sobretudo para a competição e para o treino mais especializado, usa o Pavilhão Municipal de Guifões, que tem umas ótimas instalações e que dá para eventos de grande categoria. Ao nível de infraestruturas estamos servidos. Não há necessidade, a este nível de pavilhão coberto, de termos mais.

Sendo uma freguesia com cerca de 10 coletividades desportivas, de forma é que a Junta de Freguesia de Guifões tenta apoiar o desporto?

A Junta tem um princípio que é apoiar a formação, portanto todas as coletividades que têm escalões de formação têm, ao longo do ano, um apoio específico para essas atividades. Para as atividades seniores a política já não é a mesma, o que não quer dizer que não se apoie logisticamente essas coletividades, mas distinguimos o que é a prática desportiva de formação e o que é a prática desportiva amadora, que é muito saudável e que incentivamos, mas que não tem essa vertente da formação. Para todas as atividades desportivas da freguesia que têm escalões de formação, no final do ano, a Junta costuma propor à Assembleia Municipal a atribuição de um subsídio, através de uma norma específica, em conformidade com o número de atletas, com o número de escalões inscritos, com os resultados desportivos obtidos. É um incentivo e um reconhecimento aos seus dirigentes por esta atividade que é uma carolice. E quando esta carolice desaparecer, não sei como vai ser o nosso desporto.