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“A Câmara deveria olhar com outros olhos para o Sporting Clube de Coimbrões”

Começou e terminou a sua carreira de ciclista precisamente no Sporting Clube de Coimbrões. Esta coletividade desportiva tem poucos segredos para Joaquim Leite, presidente da Junta de Freguesia de Santa Marinha, que a encara como “o clube mais representativo de Vila Nova de Gaia”, detentor de um historial riquíssimo…e que deve ser alvo de maior atenção por parte da Câmara Municipal gaiense.

 

 

Como é que vê as atividades do Sporting Clube de Coimbrões nos últimos anos, sobretudo ao nível de formação?

Eu penso que o Sporting Clube de Coimbrões é o clube mais representativo de Vila Nova de Gaia pelas atividades que desenvolve no desporto paralelamente ao Candal, sendo o Coimbrões mais ecléctico porque também tem uma secção de basquetebol que é desenvolvida no Pavilhão Municipal e que tem levado bem longe o nome do clube e do concelho. Este é um clube que desenvolve, ao mais alto nível, a sua formação, tendo centenas de crianças nas escolinhas do Coimbrões das quais nos orgulhamos e com as quais colaboramos. Ao nível do futebol, o Coimbrões está na 2ª Divisão Nacional, uma divisão de excelência que nunca pensámos atingir, mas que pela força das circunstâncias e pela vontade dos dirigentes e dos atletas foi um objetivo alcançado. O Sporting Clube de Coimbrões também tem um historial muito rico.

 

O presidente tem uma ligação muito forte com este clube, não é verdade?

Sim, comecei a minha carreira de ciclista no Sporting Clube de Coimbrões, fiz três ou quatro corridas no tempo de uma pessoa que se dedicava muito ao clube na área do ciclismo, o senhor Zé Coimbra, já falecido, e fiz também questão de terminar a minha carreira no clube em 1976 por não estar de acordo com o desaparecimento da classe profissional de ciclistas. Estive oito anos no Porto e depois no Benfica, até 1975, quando o governo acabou com a classe profissional do ciclismo, pondo fim à modalidade das multidões através da qual eu cheguei com a camisola amarela às Antas e o estádio enchia como se fosse o Porto-Benfica. Assim, dado que a modalidade foi toda considerada amadora, os clubes pequenos puderam ter uma secção de corredores, onde quase não pagavam nada, e eu fiz uma equipa com o nome de Sporting de Coimbrões e foi o primeiro ano em que o clube foi à Volta a Portugal, acabando por se vencer, em 1976 por desclassificação do Fernando Mendes, ficando assim o Belmiro Silva em primeiro lugar. O patrocinador era a Ciclocoimbrões, ou seja, as minhas empresas, e ainda tivemos a ajuda da FAGOR, do Café Gama e da Árvore que, naquele tempo, nos davam mil contos por ano e o que faltava eram os dirigentes que tinham de assegurar. O Coimbrões foi assim um clube muito rico na variante de ciclismo, ganhou muitos prémios, ficou conhecido além-fronteiras e projetou o nome do clube a nível nacional e internacional. É uma história do clube que já não há muita gente para contar e da qual muito me orgulho porque o Sporting Clube de Coimbrões chegou a ser o clube mais antigo filiado na Associação de Ciclismo do Porto.

 

“Encaramos o desporto como uma das bases principais para a freguesia”
Mas, hoje em dia, acha que o clube tem as infra-estruturas necessárias para encetar as suas modalidades?

Não. Quando Luís Filipe Menezes veio para a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia tentou projetar o clube para que se tornasse um clube de elite da 1ª Divisão, mas isso não foi conseguido. Direcionou-se tudo para o Vilanovense. Acho que aqui há uma falha ao nível do concelho e da Câmara, o Coimbrões não tem sido visto com a responsabilidade devida. Faltam balneários, falta uma bancada para os visitantes, falta um bar para os visitantes, ou seja, faltam infra-estruturas que não seriam caras e acho que a Câmara deveria olhar com outros olhos para o Sporting Clube de Coimbrões porque este está numa Divisão que projeta o concelho bem alto.

 

E relativamente à Junta de Freguesia de Santa Marinha, de que forma tem procurado promover as modalidades do Sporting Clube de Coimbrões?

Nós atribuímos um subsídio ao Sporting Clube de Coimbrões, bem como aos restantes clubes desportivos. Damos uma verba que não é muito elevada, mas é um estímulo bom e damos também mais qualquer coisita por fora para os atender quando houver necessidade. Depois, no resto do ano, estamos atentos às necessidades e ao desenrolar dos objetivos que os clubes vão tendo. Por exemplo, colaboramos com eles quando há saídas das camadas jovens para disputar os campeonatos nacionais e tudo o que seja relevante para a freguesia.

 

Como é que a Junta de Freguesia promove o desporto?
O desporto, como a cultura e a educação, é apoiado pela Junta. Neste momento, somos a única Junta que distribui uma verba, para nós bastante elevada, pelas instituições. Claro que os clubes desportivos também estão atentos ao fenómeno social que está a decorrer e quando a Junta entender que a área social se agravou, claro que só uma solução: tirar à cultura e ao desporto para colocar na área social que tanto precisa. Ainda assim, encaramos o desporto como uma das bases principais para a freguesia porque além dos clubes terem as equipas seniores, têm também as camadas todas de juventude e de formação e para nós isso é muito importante. Toda a gente sonha ser o próximo Messi ou o próximo Cristiano Ronaldo, toda a gente gosta mais de futebol do que de ciclismo, que é mais sofredor.

 

Lamenta esse mesmo facto?
Tenho pena, sim, que o ciclismo esteja neste patamar tão pobre quando já foi uma modalidade que se equiparava ao futebol, os estádios e as pistas enchiam. Mas acredito que mais tarde, quando os clubes entenderem que o ciclismo foi uma modalidade que lhes deu muita projeção e muita vida, vão voltar a apostar, o que é preciso é que também apareçam pessoas sérias que saibam estar no desporto.

 

Tendo em conta que o Sporting Clube de Coimbrões passa agora por momentos mais difíceis ao nível de infra-estruturas, como presidente da Junta de Freguesia, que palavras tem para os dirigentes e atletas desta coletividade gaiense?
Também faço parte dos órgãos sociais do clube e a mensagem que deixo é que continuem com o mesmo espírito de sacrifício e o mesmo voluntariado, que esperem por melhores dias até porque o executivo da Câmara de Gaia vai ter que se virar para o Sporting Clube de Coimbrões e para as suas necessidades prometidas. Continuem a trabalhar com humildade e façam tudo para continuar na divisão em que estão, ou seja, que continuem a dar o seu melhor em prole de uma coletividade histórica e que faz falta ao lugar mais populacional de Santa Marinha.

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