Super Revista à Portuguesa com sotaque nortenho
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- Categoria: Cultura
- Publicado em quinta, 03 janeiro 2013 21:03
- Escrito por Filipa Castro Reis
Numa alusão ao estado crítico em que se encontra o país, o teatro de revista “Vira o disco e Troika o mesmo” leva até ao Teatro Sá da Bandeira, momentos de pura diversão, luz e cor através de um elenco brilhante formado por Albano Martinez, Miguel Ribeiro, Filomena Sousa e Joaquim Correia e Ivo Dias, bem como por jovens revelações, como Jessica Santos, André Martins e Cláudia Pinto. A super revista à portuguesa encenada por João Lourival e com a autoria de Fernando Campos Castro, João Jales e Albano Martinez fez das gargalhadas do público uma garantia de êxito inquestionável.
Desde 14 de dezembro que o teatro de revista “Vira Disco e Troika o Mesmo” anda a soltar muitas más-línguas e a multiplicar gargalhadas na catedral nortenha da revista à portuguesa, o Teatro Sá da Bandeira.
O teatro do povo e para o povo chegou para ficar num espetáculo de irreverente sátira social através da crítica pelo humor e da bem tradicional brejeirice, esbanjando, em simultâneo, o talento dos atores, cantores e bailarinos.
A verdade é que as tristezas não pagam dívidas, pelo que o teatro de revista “Vira o disco e Troika o mesmo”, de uma forma bem conseguida faz trocadilhos com o estado crítico em que se encontra o país, deixando a plateia bem-disposta e esquecida das amarguras da vida atual.
O encenador João Lourival é o “homem” por detrás desta super revista à portuguesa que para chegar aos portugueses não se inibiu de cortar para metade o preço dos bilhetes. Fernando Campos Castro, João Jales e Albano Martinez são os autores qualificados e modernos dos textos dos “quadros” que transformaram o palco do Teatro Sá da Bandeira num livro aberto do quotidiano dos portugueses, salientando-se, contudo, que em cada noite de espetáculo a revista é diferente, enriquecendo-se com os improvisos e as emoções bem nortenhas à flor da pele.
O elenco em si é composto por nomes sonantes de reconhecida craveira nacional como Albano Martinez, Miguel Ribeiro, Filomena Sousa e Joaquim Correia e Ivo Dias, bem como por jovens revelações, como Jessica Santos, André Martins e Cláudia Pinto. O corpo de baile internacional dirigido pelo coreografo Gil Neto é a cereja do bolo deste espetáculo musical do ano.
“A revista deveria ser património imaterial da humanidade”
“Eu acho que a revista renasceu”, revelou o ator Miguel Ribeiro ao AUDIÊNCIA, findo o espetáculo. Na sua opinião, “participar numa revista é o desafio mais importante para os atores” e é fruto “de uma grande paixão pelo teatro porque só por paixão é que se trabalha em teatro”. “Viver da cultura em Portugal é uma aventura”, reiterou.
Ainda assim, considera que a revista bem merece esse esforço e esse empenho de todos os atores. “A revista revela muito da nossa identidade. Eu costumo dizer entre amigos que a revista deveria ser património imaterial da humanidade, tal como o teatro. Não podemos deixar morrer aquilo que é nosso”, asseverou o ator que em 2013 completará 25 anos de carreira.” Acho que não há melhor forma de comemorar isso do que a fazer o género de que eu mais gosto que é a revista”, desabafou.
Albano Martinez é outra das grandes estrelas do elenco do “Vira Disco e Troika o Mesmo”, marcando o público pela seu talento multifacetado e exigente. “Ao participar nesta revista, sinto que cresci muito como ator e acho que o público sai daqui muito satisfeito com o espetáculo que viu porque o povo procura as verdades e a revista existe precisamente para se dizerem as verdades”, afirmou.
Por sua vez, a jovem atriz Jessica Santos encontrou neste espetáculo a sua segunda participação num teatro de revista. “É diferente porque a produção deste espetáculo é mais arrojada e espero estar ao nível das expetativas”, disse, manifestando-se grata pela “reação do público que tem sido muito boa”. “Estou a fazer a gestão da conta de facebook da revista e os comentários tem sido muito positivos, com as pessoas a gostarem especialmente dos sketchs humorísticos mais caraterísticos”, declarou.
O espetáculo estará em cena até 27 de janeiro de 2013, mas Miguel Ribeiro tem outros anseios para a revista. “A expetativa que eu tenho é que chegado a essa a data, possamos prolongar mais um mês porque eu acho que o público merece ver este espetáculo”.
