De professora a artesã e pintora
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- Categoria: Cultura
- Publicado em segunda, 12 setembro 2016 12:24
- Escrito por Joana Vasconcelos
Natural da Ribeira Grande, Olga Pontes sempre teve um sonho: criar a sua própria arte. Depois de se aposentar, a antiga professora dedicou-se a tempo inteiro ao artesanato e à pintura e os seus trabalhos são já reconhecidos e procurados por muitos. Fique a conhecer esta “jovem” artista.
Depois de vários anos a leccionar, em diversas escolas do concelho da Ribeira Grande e até em Ponta Delgada, terminando a carreira de professora na Escola Central – escola primária que, curiosamente, frequentou como aluna – Olga Pontes decidiu utilizar o seu tempo livre para aprender coisas novas.
“Quando virei essa página da minha vida, procurei outra. Frequentei vários cursos, na Academia das Artes e na Casa da Cultura de Ponta Delgada, e fui aprendendo porque, no fundo, toda a gente é autodidacta mas tem sempre de se aprender mais. Fui colher os elementos que faltavam aos meus conhecimentos. Então, fui procurando saber o que estava a fazer tanto no artesanato, procurando várias vertentes que me satisfaziam, assim como frequentei cursos de pintura, primeiro em porcelana”, explicou.
Assim, Olga Pontes criou o seu atelier de arte, em casa, local de exposição permanente também para quem quiser visitar, e são vários os ribeiragrandenses e até turistas que procuram o lugar. “Há pessoas que procuram os meus trabalhos e vejo que estão dentro do assunto e que sabem o que querem. Quando abri o atelier tive gente de toda a ilha, e inclusive colegas a quem agradeço muito que vieram de propósito de Vila Franca à minha exposição”, lembra.
Contudo, Olga Pontes admite que não faz trabalhos “apenas para fazer e vender”, pelo que, atualmente, só produz por encomendas. “Não tenho praticamente nada à venda”, acrescenta.
Nos seus trabalhos, onde predominam as flores, especialmente as hortências e camélias, Olga Pontes pretende, acima de tudo, representar a realidade e são já cerca de 200 os quadros que a pintora tem sobre este tema.
Além das flores, também o fator religioso está presente nas pinturas de Olga Pontes com quadros do Santo Cristo dos Milagres e do Santo Cristo dos Terceiros, este último, feito a pedido do padre da Igreja da Matriz. “Fiz um para ele e outro para mim, em organdi”, acrescenta a pintora.
Além da pintura, Olga Pontes dedica o seu tempo também ao artesanato. “Sou artesã há alguns anos e os meus trabalhos são certificados. Todos os meus trabalhos têm um selo de certificação do produto porque, acima de tudo, quero transmitir ao futuro o artesanato corretamente feito”, explica.
Já relativamente aos materiais, Olga Pontes confidencia que aprecia “a qualidade dos materiais”, pelo trabalha, essencialmente, com organdi, flores de fazenda, flores de papel e flor de prata, para trabalhar com algum “requinte”.
Admitindo que pinta porque lhe “apetece” ou porque lhe “pedem”, principalmente os pedidos vindos da família, Olga Pontes destaca o apoio incondicional do marido, o qual apelida mesmo de “empresário”. “Dá muito trabalho, mas também muito gozo. E costumo dizer que o meu marido é o meu empresário porque me ajuda e incentiva, principalmente. Além disso, dá tanto trabalho e é precisa tanta paciência que ajuda a não desanimar ter de fazer com alguma finalidade”.
Por isso, Olga Pontes dá muito valor aos pedidos e críticas construtivas dos quatro filhos, que “são apreciadores” do seu trabalho. Também os netos já começam a pedir e a ajudar nalguns casos.
“Tenho um neto que gosta muito de surf e tem o quarto todo decorado com quadros meus sobre surf. E a minha neta já me ajuda”.
De facto, ao AUDIÊNCIA, Olga Maria, de apenas sete anos, confidenciou que está a aprender a arte da pintura com a avó e que “às vezes”, até pinta os cantos dos quadros. Já no artesanato, ajuda nos bonecos. “Gosto muito, e a minha avó tem muito jeito. Gostava, um dia, de fazer coisas como ela”, admite Olga Maria.
Quem quiser conhecer mais do trabalho desta “jovem” artista, terá mesmo de visitar o seu atelier, já que raramente expõe noutros locais. “Tive um convite durante a festa da flor mas acabei por não fazer a exposição porque estava doente. Estiveram lá quadros meus mas era para fazer sozinha e não consegui. Mas considero que esta minha arte é também uma mais valia para o turismo no concelho. Não sei se vão encontrar em qualidade aquilo que tenho aqui”, confessa.




